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| SĂ©rie HistĂłria da PenĂnsula IbĂ©rica |
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Os suevos eram um dos povos germanos oriundo da região entre os rios Elba e Oder. O historiador romano Tácito chegou a referir-se a todos os germanos do além-Elba como "suevos". Mais tarde, e com outras tribos de diferentes etnias, participaram na fundação da Suábia no sul da Alemanha.
Chegaram Ă PenĂnsula IbĂ©rica em 409, juntamente com outros invasores germânicos – vândalos, alanos e mais tarde os visigodos – cruzaram os PirenĂ©us, e fundaram um reino, com capital em Bracara Augusta, o qual, na sua máxima extensĂŁo, englobava a totalidade da provĂncia da GalĂ©cia e a parte norte da Lusitânia, atĂ© ao Tejo. O territĂłrio mais a sul foi ocupado pelos visigodos. Os suevos instalaram-se principalmente em torno de cidades como Bracara Augusta (Braga), Portus Cale (Porto), Lucus Augusta (Lugo) e Asturica (Astorga).
Em 438 o rei suevo Hermerico ratificou a paz com os povos galaicos e, cansado por uma vida de lutas, já que comandava os suevos desde quando estes entraram na PenĂnsula IbĂ©rica, abdicou em favor de seu filho RĂ©quila I.
Em 448 RĂ©quila morreu, deixando um estado em expansĂŁo a seu filho Requiário que, sendo catĂłlico, impĂ´s este credo Ă população sueva. A população urbana da GalĂ©cia era já predominantemente catĂłlica. A cidade de Braga como capital do reino suevo e sede episcopal ganhou grande importância, a qual ainda hoje Ă© visĂvel no carácter metropolita da sua SĂ©, primaz entre as dioceses do Noroeste peninsular.
ĂŤndice |
editar Os suevos e a cidade do Porto
Cerca do ano de 417, os alanos invadiram os territórios dos Suevos, empurrando estes até à margem direita do rio Douro, onde hoje se situa a cidade do Porto. Os alanos não conseguiram, apesar de muitos esforços, conquistar a cidade, sendo posteriormente expulsos pelo povo suevo, com o apoio dos romanos. Hermenerico I, o rei suevo, estendeu os muros do castelo, que fundara no morro da Pena Ventosa (onde actualmente se ergue a Sé), edificando à sua volta casas para as tropas. A este burgo foi dado o nome de Cale Castrum Novum (castelo novo de Cale) adquirindo a denominação de civitas. Ao fundo desse morro existia o Portus Cale (porto de Cale, actual Ribeira), que deu origem ao nome Portucale, nome esse dado ao castelo novo, e que ficaria a designar a cidade a partir dos finais do século IV. O castelo antigo ficava do outro lado do rio Douro, no local de Vila Nova de Gaia, posto de defesa avançado de Cale.
editar DeclĂnio e queda do reino suevo
Em 456 Requiário I morre e vários pretendentes aparecem, agrupados em duas facções. Nota-se uma divisĂŁo marcada pelo rio Minho, provavelmente um reflexo das duas tribos, quados e marcomanos, que constituiam a nação sueva na PenĂnsula IbĂ©rica.
Em 585 os visigodos destroçaram os suevos e capturaram seu rei, Andeca. O reino suevo foi anexado pelo Reino Visigodo de Toledo, mas provavelmente subsistiu um certo grau de autonomia. Segundo as crónicas de Afonso III, enquanto Égica governava o reino dos godos Vitiza governava o reino dos suevos.[1]
editar A herança dos suevos em Portugal
Os suevos adoptaram rapidamente a lĂngua hispano-latina falada nas provĂncias que ocuparam, pelo que poucos vestĂgios linguĂsticos restam da sua presença. Identificou-se, ainda assim, a palavra "laverca" (uma forma arcaica de "cotovia" em portuguĂŞs) como derivada do suevo lawerca. Segundo Dan Stanislawski, o modo de vida dos portugueses da regiĂŁo nortenha foi herdado dos suevos, principalmente por predominarem as pequenas propriedades rurais contráriamente Ă regiĂŁo sul de Portugal onde predomina o grande latifĂşndio. Aos suevos tambĂ©m se atribui a introdução do arado quadrado na penĂnsula [2].
editar ReferĂŞncias
- ↑ [Wittiza] quem rex in vita sua in regno participem fecit et eum in Tudensem civitatem avitare precepit, ut pater teneret regnum Gotorum et filius Suevorum. Crónicas Asturianas, Adefonsi Tertii Chronica
- ↑ (em inglês) Stanislawski, Dan. The Individuality of Portugal. The Library Of Iberian Resources Online
