Reino da Galiza
Reino da Galiza

Reino


s. V – 1833
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Reino da galiza
Localização do Reino da Galiza no século XI
Continente Europa
Região Noroeste da península ibérica
Capital Santiago de Compostela, com anterioridade em Lugo, León, Braga, Tui e Rivadavia.
Língua oficial latín / galego /
espanhol
Religião Católica
Governo Monarquia
Rei
 • 409 Hermerico
 • 1364 Xoán I
Legislatura Juntas do Reino da Galiza
História
 • Fundação s. V
 • Dissolução 1833
Este artigo trata do estado histórico conhecido como "Reino da Galiza" (século V - 1833). Para informação sobre a região actual, veja-se o artigo principal: Galiza.

O Reino de Galiza foi uma entidade política que começou no século V, e foi disolta no ano 1833 situada no Sudoeste de Europa, e no Noroeste da Península Ibérica que foi evoluíndo territorialmente ao comprido dos séculos.

Índice

editar A origem do reino

A origem do reino encontra-se no século V d.C., quando os suevos definitivamente se assentam na antiga província romana chamada Gallaecia. Estes, encabeçados pelo seu rei, Hermerico (que assinara um foedus com o imperador romano Honorio, pelo qual concedia-lhes a soberania, é dizer, a total independência de Roma), fixariam a sua corte na antiga Bracara Augusta, criando assim o que se chamaria regnum suevorum, regnum galliciense ou Reino Suevo, começando o seu reinado no 409. No 449 o primeiro rei suevo nado na Galiza, Requiário I (filho de Réquila I, neto de Hermerico), decide converter o reino em católico, ao igual que a maioria da sua população, ainda que do 465 ao 550 voltaria-se ao arianismo.

Num século mais tarde as diferencias entre os nativos galaicos e os suevos começariam a desaparecer, este facto teria por resultado que os autores coetáneos se refiram ao reino nesse momento como Galliciense Regnum[1], e aos reis indistintamente coma Regem Galliciae[2], Rege Suevorum ou Galleciae totius provinciae rex[3], mesmo os bispos coma Martinho de Dume serão reconhecidos coma episcopi Gallaecia[4]. Tudo isto propícia que no século VI d.C., possamos já falar da existência do Reino da Galiza.

editar O reino da Galiza na monarquia visigoda

No ano 585, Leovigildo, rei visigodo de Hispania e Septimania, consegue arrematar com a independência política que os reis suevos mantiveram na Galiza desde o ano 409, derrotando ao derradeiro rei suevo, Andeca. Desta guisa, o território da chamada então Gallaecia, passa a fazer parte da órbita de poder de Toledo, desde onde os monarcas visigodos exerciam o seu poder trás serem expulsos da Galia pelos francos. O período de governo visigodo na Galiza não supôs nenhuma mudança brusca no que diz respeito a épocas passadas, de modo que a excepção das dioceses sitas na Lusitania, as dioceses galegas seguiram a desenvolver a sua actividade com notável normalidade, mantendo-se activas as dioceses de Braga, Porto, Tui, Iria, Britonia, Lugo, Ourense, Astorga, Coimbra, Lamego, Viseu e Idanha.

A organização territorial herdada de séculos anteriores não muda, e mesmo as elites culturais, religiosas assim como aristocráticas aceitaram aos novos monarcas, que se bem tinham a sua corte em Toledo, assumiam o controlo político de três antigos reinos; Espanha, Septimania e a Galiza, de modo que nos concilios religiosos como o realizado em Toledo no ano 589 estavam presentes episcoporum totius Hispaniae, Galliae et Gallaetiae[5] é dizer, bispos de toda Espanha, Galia e Galiza, esta concepção tripartita encontra-se ao comprido do governo visigodo desde o ano 585, diferenciando mediante diversas fórmulas as três entidades visigodas nos documentos como; fines Spanie, Gallie, Gallecie[6] ou Spaniae et Galliae vel Gallitiae[7] entre outras. Destaca neste contexto a figura de São Froitoso, bispo galaico de ascendencia visigoda, famoso pelas numerosas fundações levadas a cabo por ele em todo o ocidente peninsular, quase sempre em lugares agachados nas montanhas e mesmo ilhas, sobresaíndo a sua austeridade.

O verdadeiro é que as derradeiras décadas da monarquia visigoda foram de marcada decadência, devido em boa parte à redução do comércio com uma importante redução da circulação monetária, consequência directa da imposición do poder muçulmano a princípios do século VIII em o mediterráneo sul. A Gallaecia ver-se-á afectada pelas mesmas pautas. É daquela quando São Froitoso o denunciou um estado xeralizado de retrocesso cultural, perda da dinâmica de tempos atrás, e em seguida abrollou um certo grao de descontentamento no alto clero galaico. Assim, no X Concilio de Toledo, no ano 656, Froitoso, pertencente a círculos de poder visigodos asumíu a cadeira metropolitana de Braga, acontecendo isto prévia renúncia do seu titular Potamio, quem ademais reconhecia explicitamente a crise da vida eclesiástica. Na mesma ocasião os ali reunidos anulavam o testamento deixado pelo bispo Recimiro de Dume, pois nele doava as riquezas da diocese-mosteiro aos pobres.

A crise final visigoda remontaria ao reinado de Égica. Este monarca declarou herdeiro ao seu filho Witiza e já em vida associou-o ao trono, no ano 698, pese a que a lei visigoda obrigava à eleição de um novo rei e não à transmissão hereditaria. Dita associação consistíu em entregar-lhe o governo da Galiza, exercendo como rei com capital em Tui. Witiza vai ser rei da Gallaecia alomenos ata a morte do seu pai, o que supõe uma situação novidosa nesta etapa final e conflitiva da monarquia visigoda, evidenciando a actividade política que Galiza conservava cem anos depois da fim da monarquia sueva. No ano 702 com a morte de Égica, Witiza assume também o governo de Hispania, trasladando-o a Toledo onde governaria ata no ano 710. Trala sua morte, um sector aristocrático visigodo impedíu a subida ao trono do seu filho Axila, impondo pela força a Rodrigo, o que supôs um irresoluble conflito civil entre os seus partidários e os dos filhos de Witiza. Será no ano 711 quando os inimigos de Rodrigo logren que um exército muçulmano cruze o estreito de Gibraltar e presente batalha a Rodrigo em Guadalete, onde este é derrotado, fito que marca a fim do governo visigodo em Hispania, e que terá uma trascendencia histórica total para as duas restantes entidades políticas: Gallaecia e Septimania.

No ano 715 Abd al-Aziz ibn Musa toma por esposa à viúva de Rodrigo, de nome Exilona intitulada reginam Spanie[8], confirmando a continuidade dinástica, transferida assim legitimamente ao gobernador muçulmano. Com este facto os governantes muçulmanos consideraram-se politicamente continuadores do anterior estado e assumiram os atributos detido antes pelos reis visigodos de Toledo. Desta guisa, com a conquista de toda Spania pelos muçulmanos, além das suas fronteiras, os emires cordobeses seriam conhecidos com o título de rex Spanie[9]. A partir desse intre começa uma nova concepção geográficfa, pois Espanha vai ser o nome com o que se designe ao território muçulmano, e Galiza ao território cristão. Assim o historiador Al-Maqqari deixa claro a extensão do domínio muçulmano ao referir-se a conquista de começos do século VIII:

Não ficou lugar sem dominar em Al-Andalus se exceptuamos o país de Galiza.

editar A negação do reino da Galiza

Na historiografia oficialcarece de fontes?, e desde datas recentes da independência portuguesa, ficou incluído o reino da Galiza dentro do reino de Leão e posteriormente de Castela.

Após a independência de Portugal em 1128 e a conformação da monarquia leonesa (posteriormente castelhano-leonesa), o reino da Galiza começaria a perder a sua influência progressivamente na proclamação dos reis ibéricos. Datas e factores decisivos para a perda de poder e influência na política dos reinos hispânicos por parte da nobreza galega foram:

editar O início duma maior dependência

A execução do Mariscal Pardo de Cela por parte dos reis católicos nessas datas e o fracasso galego-português na guerra pela sucessão entre Isabel a católica e Joana chamada a “Excelente Senhora” em Portugal e “a Beltraneja” em Castela. Nessa guerra pela sucessão, Pedro Álvares de Soutomaior, nobre galego, capitaneou a revolta de nobres galegos e portugueses (acompanhados do próprio Afonso V) para a coroação da rainha do seu partido, Joana.

Estes dois factos, a perda da cabeça do Mariscal e o fracasso da revolta pela sucessão no reino da Espanha serviriam de argumento para uma historiografia galega como símbolo do fim duma etapa de capacidade de intervenção política e início da decadência do Reino da Galiza.

Referências

  1. Historia Francorum. Gregorio de Tours.
  2. De scriptoribus ecclesiasticis. Sigebertus Gembalensis.
  3. RISCO, M., España Sagrada 40- 41.
  4. Martini Episcopi Bracarensis Opera Omnia pp. 288-304.
  5. Chronicon Iohannis Biclarensis 590.1 = vv 330-341.
  6. Wamba Lex.
  7. Synodus Toletana tertia.
  8. Crónica Mozárabe, ed. López Pereira, 1980a, ps. 76-79: "cum reginam spanie in coniugo copulatam.
  9. ed. Lafuente Alcántara, 1867, p. 166.
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