Lýðveldið Ísland
República da Islândia
Bandeira da Islândia
Brasão de Armas da Islândia
Bandeira Brasão de Armas
Hino nacional: Lofsöngur
("Canção de louvor")
Gentílico: islandês

Localização da Islândia

Localização da Islândia (a vermelho)
No continente europeu (a branco)
Capital Reykjavik (Reiquiavique)
64°08' N 21°56' W
Cidade mais populosa Reykjavik
Língua oficial Islandês
Governo República parlamentar
 - Presidente Ólafur Ragnar Grímsson
 - Primeiro-ministro Geir H. Haarde
Independência da Dinamarca 
 - Direito de Governo 1 de Fevereiro de 1904 
 - Reconhecida 1 de Dezembro de 1918 
 - República 17 de junho de 1944 
Área  
 - Total 103.000 km² (107º)
 - Água (%) 2,7
População  
 - Estimativa de 2008 313.376 hab. (172º)
 - Censo 1980 229.187
 - Densidade 3,1 hab./km² (195º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2006
 - Total US$12,172 bilhões (132º)
 - Per capita US$40.277 (2005) ()
Indicadores sociais  
 - IDH (2007) 0,968 () – elevado
Moeda Coroa islandesa (ISK)
Fuso horário GMT (UTC0)
 - Verão (DST) (UTC+1)
Org. internacionais EFTA, OCDE, OTAN
Cód. ISO ISL
Cód. Internet .is
Cód. telef. ++354
Website governamental Sítio do governo islandês, em inglês

Mapa da Islândia

A Islândia, oficialmente República da Islândia (islandês: Ísland ou Lýðveldið Ísland, AFI: [ˈliðvɛltɪð ˈistlant]) é um país insular localizado no noroeste da Europa (apesar de geograficamente situar-se na dorsal meso-atlântica), entre o resto do continente e a Gronelândia (Groenlândia). Em julho de 2007, sua população era de 311.396 habitantes. Sua capital e maior cidade é Reiquiavique (Reykjavík).

A ilha é banhada pelo oceano Atlântico a sul e oeste, e pelo mar da Noruega a norte e a leste, e está separada da Gronelândia pelo estreito da Dinamarca. Os territórios mais próximos, além da própria Gronelândia, são as ilhas Feroé, a sueste, e a ilha norueguesa de Jan Mayen, a nor-nordeste. É considerado um dos melhores países do mundo para se viver, pelo fato de ter o índice de desenvolvimento humano mais elevado mundialmente[1] e à alta qualidade de vida da sua população.

Índice

editar História

Ver artigo principal: História da Islândia
Representação de uma reunião no Alþingi no Þingvellir no século 19.

editar Primeiros assentamentos

As primeiras pessoas que provavelmente habitaram a Islândia foram monges irlandeses eremitas, que se estabeleram por lá no século VIII, porém partiram após a chegada dos nórdicos, que sistematicamente se estabeleceram na ilha no período de 870-930 d.C. O primeiro escandinavo a se fixar por essas áreas foi Ingólfur Arnarson, que construiu sua moradia em Reiquiavique em 874. Após Ingólfur, muitos outros imigrantes chegaram, principalmente nórdicos e seus escravos irlandeses. Por volta de 930, quase toda a área arável já havia sido reinvidicada e o Alþingi (Althingi), um parlamento legislativo e judiciário, foi fundado com a função de um centro político do Estado livre islandês. O cristianismo foi adotado no ano 1000. O Estado durou até 1262, quando o conflito de interesses e o sistema político adotado já não satisfaziam a todos.

editar Idade Média

As disputas internas e as brigas civis na era sturlunga levaram ao tratado Gamli Sáttmáli ("Antigo Pacto"), que visava a união entre a Islândia e a Noruega. O domínio da Islândia passou então para os dinamarqueses no final do século XIV, quando os reinos da Noruega e da Dinamarca se uniram pelo tratado de Kalmar. Com o passar dos séculos seguintes, a Islândia foi transformando-se em um dos mais pobres países da Europa. O solo infértil, as erupções vulcânicas e o clima extremo fizeram da vida algo realmente muito difícil, ainda mais em uma sociedade que dependia quase inteiramente da agricultura. A Peste Negra eliminou grande parte da população islandesa em 1402-1404 e em 1494-1495, em ambos os períodos matando aproximadamente metade da população.[2]

Por volta do meio do século XVI, o rei Cristiano III da Dinamarca começou a impor o luteranismo em todos os assuntos. O último bispo católico na Islândia foi expulso em 1550, e então o país se tornou totalmente luterano. Durante os séculos XVII e XVIII, a Dinamarca impôs restrições comerciais bastante severas à Islândia, enquanto piratas frequentemente atacavam suas costas. Uma grande epidemia de varíola, durante o século XVIII, matou cerca de um terço da população.[3][4]

editar Independência e história recente

Jón Sigurðsson, líder do movimento de independência Islandês

Em 1814, durante as Guerras Napoleônicas, a relação Dinamarca-Noruega rompeu-se em dois reinos distintos por meio do tratado de Kiel, e a Islândia permaneceu sob domínio dinamarquês. Severas condições climáticas durante o século XIX provocaram grandes ondes de imigração para os Estados Unidos da América e principalmente para o Canadá. Enquanto isso, um novo movimento separatista começou a ganhar impulso sob a liderança de Jón Sigurðsson, inspirado nas ideologias do nacionalismo romântico do continente europeu. Em 1874, a Dinamarca concedeu direitos à Islândia de se auto-governar, que foram expandidos em 1904. O Ato de União, um acordo com a Dinamarca assinado no dia 1 de Dezembro de 1918, reconheceu a Islândia como um estado pleno e soberano diante da Coroa dinamarquesa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a ocupação alemã na Dinamarca em 9 de Abril de 1940 tornou a comunicação entre Islândia e a Dinamarca muito difícil. Naquele momento, o parlamento islandês declarou que o governo da ilha deveria exercer as funções antes exercidas pelo rei da Dinamarca, principalmente as suas relações estrangeiras. Um mês depois, as forças militares do Reino Unido invadiram a Islândia, violando a neutralidade islandesa. A ocupação dos aliados da Islândia durou todo o período restante da guerra. O Alþingi votou em 14 de Junho de 1941, elegendo Sveinn Björnsson como regente para o rei Cristiano X da Dinamarca.[5]

Em 1941, a responsabilidade pela ocupação passou para o exército dos Estados Unidos. No dia 31 de Dezembro de 1943, o acordo do Ato de União expirou por seus próprios termos após 25 anos. Começando em 20 de Maio de 1944, quatro dias de votação foram conduzidos para determinar em um plebiscito se a união com a Dinamarca deveria ser renovada ou se uma república deveria ser instaurada.[6] O resultado foi de 97% em favor do último, e a Islândia se tornou formalmente uma república independente no dia 17 de Junho de 1944, com Sveinn Bjornsson como seu primeiro presidente. A ocupação estrangeira retirou-se em 1946. A Islândia tornou-se membro da OTAN em 30 de Março de 1949, e em 5 de Maio de 1951, um acordo de defesa foi assinado com os Estados Unidos, onde tropas do país americano retornaram e permaneceram como parte do acordo durante toda a Guerra Fria e até ao Outono de 2006.

O período pós-guerra foi marcado por um importante crescimento econômico, através da indústria pesqueira e pela reconstrução promovida pelo Plano Marshall e pelo tipo de governo keynesiano marcante das economias europeias, promovendo ao máximo as trocas comerciais. A década de 1970 foi marcada pelas disputas com o Reino Unido sobre os limites pesqueiros da Islândia, apelidadas de Cod Wars ("Guerras do Bacalhau"). A economia foi intensamente diversificada após a entrada da Islândia na Área Econômica Europeia em 1992.

editar Política

Ver artigo principal: Política da Islândia
O Alþingi em Reiquiavique, com a catedral à esquerda.

A política da Islândia tem lugar num quadro de uma república democrática representativa parlamentar, segundo o qual o Primeiro-ministro da Islândia é o chefe de governo, e de um sistema multi-partidário. O poder executivo é exercido pelo governo. O poder legislativo é exercido pelo governo e o parlamento, o Alþingi (Althingi). O poder judiciário é independente dos poderes executivo e legislativo.

Os islandeses vão ás urnas para eleger o presidente (eleições presidenciais), o primeiro-ministro (eleições parlamentares) e os presidentes da Câmara Municipal (eleições municipais). Cada mandato tem a duração de quatro anos.

O partido actualmente no governo é o SSF (Sjálfstæðisflokkurinn, ou "Partido da Independência"), de centro-direita.

editar Divisões Administrativas

A Islândia é dividida em regiões, círculo eleitorais, condados, e municípios. Existem oito regiões, que servem basicamente para propósitos estatísticos, que são:

Círculos eleitorais islandeses.

Até o ano de 2003, os círculos eleitorais das eleições parlamentares eram os mesmos das regiões, mas em uma emenda da constituição, ele foram transformados nos seis círculos atuais:

  • Norte de Reiquiavique e Sul de Reiquiavique (regiões da cidade);
  • Sudoeste (quatro subúrbios em torno de Reiquiavique);
  • Noroeste e Nordeste (metade norte da Islândia); e,
  • Sul (metade sul da Islândia, excluíndo Reiquiavique e seus subúrbios).
Condados da Islândia.

Essa mudança dos círculos eleitorais se deu para equilibrar o peso dos diferentes distritos do país, já que em áreas muito pouco habitadas um voto contaria muito mais do um voto na área metropolitana de Reiquiavique. O equilíbrio dos distritos foi reduzido mas ainda existe.[7]

Os vinte e três condados da Islândia servem quase exclusivamente como divisões históricas. Atualmente, a Islândia possui vinte e seis magistrados que representam o governo em diferentes funções, como por exemplo, supervisionar a polícia local (exceto em Reiquiavique, que possui um policial especial designado), recolher taxas e tributos, administrar declarações de fraudes e corrupção e promover uniões civís (casamentos).[7] Os setenta e dois municípios da Islândia têm a função de controlar questões locais como escolas, transportes e zoneamento. Os municípios são o segundo nível de subdivisão da Islândia depois das regiões e antes dos círculos eleitorais, uma vez que estes últimos são relevantes apenas em casos de eleição e propósitos estatísticos. Reykjavík é o município mais populoso, com uma população quatro vezes maior que o segundo, Kópavogur.[7]

editar Geografia

Ver artigo principal: Geografia da Islândia

editar Topografia

Islândia vista do espaço.
Mapa com as maiores cidades da Islândia.
Islândia (visão do espaço) 29 de Janeiro, 2004. Fonte: NASA

A Islândia está localizada no norte do Oceano Atlântico, um pouco ao sul do Círculo Ártico, que passa pela pequena ilha de Grímsey na costa norte islandesa. Diferentemente da Gronelândia, a Islândia é considerada parte da Europa e não da América do Norte, embora geologicamente a ilha pertença à ambos os continentes. Devido à semelhanças culturais, econômicas e lingüísticas, a Islândia é muitas vezes incluída na Escandinávia. Os territórios mais próximos são a Gronelândia (287 km) e as ilhas Feroé (420 km). A distância mais curta em relação ao resto do continente europeu propriamente dito é de 970 km até a Noruega.

A Islândia é 18ª maior ilha do mundo em tamanho, e a segunda maior ilha da Europa, atrás somente da Grã-Bretanha. O país tem 103.000 km² de área, do qual lagos e glaciares cobrem 14.3% e somente 23% é coberto por vegetação.[8] Os maiores lagos são a reserva Þórisvatn: 83-88 km² e o Þingvallavatn: 82 km²; outros lagos importantes incluem o Lögurinn e o Mývatn. O Öskjuvatn é o lago mais profundo com 220 m.

A costa islandesa é repleta de fiordes, e é também na costa que a grande maioria das cidades estão localizadas, porque no interior da ilha além de muito frio, a combinação entre areia e montanhas o torna inabitável. As principais cidade são Reiquiavique, Kópavogur, Hafnarfjörður, Reykjanesbær, onde se encontra o aeroporto internacional, e Akureyri. A ilha de Grímsey, no Círculo Ártico, possui as habitações mais ao norte da Islândia.[9]

A Islândia tem quatro parques nacionais: o Jökulsárgljúfur, o Skaftafell, o Snæfellsjökull, e o Þingvellir, onde o promontório criou um anfiteatro natural.

editar Atividade geológica

Strokkur, um géiser em processo de erupção.
Dettifoss, a maior queda d'água da Europa, localizada no nordeste islandês.

Geologicamente, a ilha da Islândia é bastante nova. A Islândia está localizada em um ponto quente geológico causado pela pluma mantélica, e também na dorsal meso-atlântica, que passa exatamente sob o solo da ilha. Esta combinação significa que geológicamente a ilha é extremamente ativa, tendo assim muitos vulcões, entre eles o Hekla, o Eldgjá e o Eldfell. A erupção vulcânica do Laki em 1783-1784 causou a grande fome que matou quase um quarto da população.[10] A erupção provocou o aparecimento de nuvens e fumaça em grande parte da Europa e em partes da Ásia e da África por diversos meses após a erupção.

Existem muitos géiseres na Islândia, incluíndo o Geysir, no qual o nome da palavra é derivado. Devido a grande quantidade de força geotérmica e diversos rios e cachoeiras pelo país provedores de hidroeletricidade, a maioria dos residentes têm acesso à água quente por um preço bem baixo. A ilha é composta principalmente por basalto, Dióxido de silício de lava associado com o efusivo vulcanismo como o do Havaí. Porém, a Islândia possui diferentes tipos de vulcões, que produzem riólito e andesito.

A Islândia tem controle sobre Surtsey, uma das ilhas mais novas do mundo. Ela surgiu após uma série de erupções vulcânicas entre o dia 8 de Novembro de 1963 e 5 de Junho de 1968.

editar Clima

O clima da costa da Islândia é oceânico. A corrente quente do Atlântico Norte garante temperaturas anuais mais altas que em outros locais do mundo de mesma latitude. Os invernos são amenos e ventosos e os verões úmidos e frescos. Regiões com clima similar incluem as ilhas Aleutas, o Alasca e Terra do Fogo embora essas regiões sejam mais próximas da linha do equador. Apesar da proximidade da ilha com o Ártico, seu litoral mantem-se descongelado durante o inverno, sendo raras as ocasiões de gelo, a última ocorrendo em 1969.[11]

A ilha possui algumas variações climáticas em suas diferentes partes. Em termos gerais, a costa sul é mais quente, úmida e ventosa que o norte. As terras baixas no interior da parte norte são as mais áridas. A precipitação de neve é mais comumno norte do que no sul. As terras altas são as partes mais frias do país.

A temperatura do ar mais quente já registrada foi de 30,5 °C no dia 22 de Junho de 1939 em Teigarhorn, na costa sudeste. A mais baixa foi de -38 °C a 22 de Janeiro de 1918 em Grímsstaðir e Möðrudalur no interior nordeste. As temperaturas recordes em Reiquiavique são de 24,8 °C em 11 de Agosto de 2004, e -24,5 °C no dia 21 de Janeiro de 1918.

Temperaturas mínimas e máximas diárias (°C) (1961-1990)[12]
Cidade Jan Feb Mar Apr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média
Reiquiavique[13] 1.9 2.8 3.2 5.7 9.4 11.7 13.3 13.0 10.1 6.8 3.4 2.2 Máx. 7.0
-3.0 -2.1 -2.0 0.4 3.6 6.7 8.3 7.9 5.0 2.2 -1.3 -2.8 Mín. 1.9
Akureyri[14] 0.9 1.7 2.1 5.4 9.5 13.2 14.5 13.9 9.9 5.9 2.6 1.3 Máx. 6.7
-5.5 -4.7 -4.2 -1.5 2.3 6.0 7.5 7.1 3.5 0.4 -3.5 -5.1 Mín. 0.2

editar Flora e fauna

O curto espaço de tempo desde a última era do gelo, há 10.000 anos atrás, não foi suficiente para que plantas e animais migrassem ou evoluíssem na Islândia. Existem cerca de 1.300 espécies conhecidas de insetos na Islândia, o que é um tanto quanto baixa se comparado aos outros países (cerca de 925.000 são conhecidas no mundo). A única espécie nativa de mamífero quando os primeiros humanos chegaram na ilha era a raposa do ártico, que chegou no fim da era do gelo, andando pelo mar congelado. Não existem espécies nativas de reptéis ou anfíbios na ilha.

Aproximadamente três quartos da ilha não possui vegetação; a maior parte da vegetação é de grama, que regularmente é utilizada na criação de animais domésticos. A única árvore nativa é a Betula pubescens, que originalmente se encontrava em florestas que cobriam boa parte do sul da Islândia. A presença humana alterou seriamente o frágil ecossistema da ilha. As florestas foram intensamente afetadas por incêndios e madeireiras. O desmatamento causou o crescimento da erosão do solo, impedindo o crescimento de novas árvores. Atualmente, apenas alguns arbustos se mantem em reservas isoladas. O replantio das florestas de fato aumentou o número de árvores mas não chega a se comparar com o de outrora. Entre as espécies replantas, muitas são estrangeiras.

Cavalo islandês.

Os animais da Islândia são a ovelha islandesa, o gado islandês, e o cavalo islandês. Muitos tipos de peixes vivem nas águas oceânicas próximas ao litoral islandês, e a indústria pesqueira é o principal contribuidor para a economia da Islândia, representando mais da metade do seu total de exportações. Mamíferos selvagens incluem a raposa ártica, mustelas, ratos, ratazanas, coelhos e renas. Em torno dos anos de 1900, ursos polares ocasionalmete visitavam a Islândia, viajando em icebergs desde a Gronelândia. Os pássaros, especialmente os de mar, são parte importante da vida animal da Islândia. Papagaios-do-mar, mandriões e gaivotas fazem ninhos nas falésias da ilha. Apesar de não permitir mais a caça comercial de baleias, ainda permite a sua caça científica, que não são incentivadas pelo Comitê Científico da Comissão Baleeira Internacional.

editar Economia

Ver artigo principal: Economia da Islândia

A economia da Islândia é de tipo capitalista, semelhante às de outros países nórdicos, com presença de um estado do bem-estar social. As taxas de desemprego são baixas, e a distribuição de rendimentos é bastante ampla.

A economia da Islândia é modesta, dependente em grande parte da pesca e indústria relacionada, que respondem por quase 70% das exportações. O estado da economia nacional dependente grandemente do mercado para produtos de origem marinha.

Outras fontes importantes de exportação incluem alumínio, ferro-silício, equipamento para pesca e processamento de produtos marítimos, e lã. O comércio exterior desempenha um papel importante na economia da Islândia. Exportações e importação equivalem, cada uma, a um terço do PIB. A maior parte das exportações é para os EUA e para o Japão.

A Islândia usufrui da força geotérmica como recurso energético para todas as atividades, devido sua localização, em um território cheio de vulcões.

Em 14 de outubro de 2008, a bolsa da Islândia sofreu uma queda histórica de 76%.[15]

editar Demografia

Ver artigo principal: Demografia da Islândia

A população islandesa é bastante reduzida para a extensão do território. A maioria dos islandeses descende de colonizadores noruegueses e celtas oriundos da Irlanda, e a população é notavelmente homogênea. De acordo com estatísticas do governo islandês, 99% da população vive em áreas urbanas (ou seja, em localidades com população maior do que 200 pessoas), e 60% dela vive em Reiquiavique e seus subúrbios.

Das línguas nórdicas, o islandês é a mais próxima do norueguês antigo, e tem permanecido praticamente imutável desde o século XII. Por causa da sua reduzida demografia e relativa homogeneidade, a Islândia tem características de uma sociedade fechada.

Cerca de 91% da população pertence à igreja oficial, a Igreja Evangélica Luterana, ou a outras igrejas luteranas. Entretanto, a Islândia tem completa liberdade religiosa, e outras congregações protestantes e o catolicismo também estão presentes. A mais notável congregação religiosa, e a que mais rapidamente cresceu em 2003, foi a Ásatrúarfélagið ("Comunidade Ásatrú"), que revive a religião pré-cristã da Islândia.

Demografia da Islândia.

editar Cultura

Ver artigo principal: Cultura da Islândia
Um exemplo de saga islandesa (Brennu-Njáls).

A cultura islandesa possui suas raízes nos vikings e nas tradições nórdicas. A Literatura islandesa é popular, em particular as sagas islandesas e as eddas, que foram escritas durante os primeiros assentamentos. Os islandeses dão bastante importância à independência e à auto-suficiência; em uma pesquisa da Comissão Europeia, mais de 85% dos islandeses declararam a independência como algo de grande importância, sendo contrastante com a média europeia (53%), a Noruega (47%) e a Dinamarca (49%). [16]

Algumas crenças tradicionais se mantêm até hoje; por exemplo, alguns islandeses acreditam em elfos.[17] A Islândia possui o maior IDH do mundo e foi recentemente classificada como o quarto país mais feliz do mundo.[18]

A Islândia é bem liberal em termos de lesbianismo, bissexualismo e transgêneros (GLBT). Em 1996, o parlamento passou uma lei criando a união registrada de casais de mesmo sexo, cobrindo quase todos os direitos e benefícios do casamento. Em 2006, por unanimidade, uma nova lei assegurou os mesmos direitos de adoção e inseminação assistida de casais de sexos diferentes para casais de mesmo sexo.

editar Língua

Uma turma no ginásio (um tipo de escola de educação secundária para capacitar os alunos a prosseguirem os estudos) de Hraðbraut.

A língua oficial da Islândia é o islandês, uma língua germânica que descende do nórdico antigo. O islandês sofreu menos mudanças em relação ao nórdico antigo do que outras línguas nórdicas, preservando mais inflexões verbais e nominais, e também criando novas palavras a partir de raízes nativas evitando o estrangeirismo. Atualmente, é a única língua viva a utilizar a letra rúnica Þ. O idioma mais próximo ao islandês é o feroês.

O inglês é extensamente falado e maioria dos islandeses falam em um nível quase nativo. O dinamarquês também é muito falado entre a população. Estudar essas línguas faz parte do programa escolar obrigatório da Islândia.[19] Outros idiomas falados são o alemão, o norueguês e o sueco.

editar Religião

Hallgrímskirkja, Igreja de Hallgrímur, em Reiquiavique, Islândia.

Os cidadãos islandeses gozam de liberdade religiosa de acordo com sua constituição, apesar de não existir separação entre Igreja e Estado. A Igreja Nacional da Islândia, luterana, é a Igreja do Estado. [20] O registro nacional mantém dados sobre a filiação religiosa de todos os cidadãos islandeses. Em 2005, eram divididos em:[21]

  • 82.1% membros da Igreja Nacional da Islândia.
  • 4.7% membros das Igrejas Livres Luteranas de Reykjavík e Hafnarfjörður.
  • 2.6% sem filiação a nenhum grupo religioso.
  • 2.4% membros da Igreja Católica Romana.
  • 5.5% membros de organizações religiosas não registradas ou sem filiação específica.

Os restantes 2.7% estão divididos em outras crenças Cristãs ou não-Cristã (1%). Pesquisas mostram que 43% não freqüentam eventos religiosos e apenas 10% freqüenta regularmente.

editar Literatura e artes

Os trabalhos literários mais famosos da Islândia são suas sagas, prosas épicas situadas na Islândia na época dos primeiros assentamentos. Entre as mais famosas estão a Njáls saga ("saga de Njál"), a Grœnlendinga saga ("saga dos gronelandeses") e a Eiríks saga ("saga de Eric, o Vermelho), descrevendo o descobrimento e povoamento da Gronelândia e da Terra Nova e Labrador. A Egils saga ("saga de Egil"), a Laxdœla saga ("saga de Laxdæla"), a Grettis saga ("saga de Grettis") e a Gísla saga Súrssonar ("saga de Gísli Sursson") estão entre as sagas islandesas mais conhecidas e populares. Em 1262, a Islândia se uniu à monarquia norueguesa, perdeu sua independência, e então começou a sofrer um grande declínio na produção literária. Uma importante tradução da Bíblia ocorreu no século XVI. Em tempos mais recentes, a Islândia formou grandes escritores, sendo o mais famoso Halldór Laxness, que recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1955. Steinn Steinarr é considerado por muitos o primeiro poeta modernista islandês.

A paisagem é figura constante em pinturas islandesas renomadas. Isso se dá pelo fato de que o nacionalismo e sentimento de independência eram muito fortes neste período.

A pintura islandesa contemporânea está tipicamente ligada ao trabalho de Þórarinn Þorláksson que, após obter uma educação formal em arte na década de 1890 em Copenhague, retornou a seu país para pintar e exibir suas obras, de 1900 até sua morte, em 1924, retratando quase que exclusivamente o paisagem islandesa. Diversos outros homens e mulheres islandeses estudaram na Academia da Dinamarca àquela época, entre eles Ásgrímur Jónsson, que, juntamente com Þórarinn criou retratos distintos do cenário islandêns num estilo romântico e naturalista. Outros artistas seguiram os passos de Þorláksson e Jónsson, entre eles Jóhannes Kjarval, Jón Stefánsson, e Júlíana Sveinsdóttir. Kjarval em particular é famoso por sua técnica distinta de aplicação de tinta que desenvolveu de maneira intencional, para retratar de forma mais real as rochas vulcânicas que dominam o meio-ambiente da ilha. Einar Hákonarson é um pintor expressionista e figurativo que trouxe a figura de volta à pintura islandesa.

A arquitetura islandesa segue as influências escandinavas. A escassez de árvores nativas fez com que casas tradicionais fossem cobertas por grama.

editar Desportos

Os desportos (esportes) são parte integrante da cultura islandesa. O desporto mais tradicional na Islândia é o Glíma, uma espécie de luta que se pensa ter sido criada pelos vikings.

Os desportos mais populares são o futebol, onde destaca-se Eidur Gudjohnsen, jogador do Barcelona, o atletismo, o andebol e o basquetebol. O andebol por equipe é tido como o esporte nacional da Islândia, sendo um dos mais bem colocados no mundo. A mais recente conquista foi a medalha de prata olímpica no torneio masculino dos Jogos de Beijing 2008.

O futebol feminino da Islândia, surpreendentemente por seu tamanho diminuto, é a décima-oitava melhor equipe do mundo pelo ranking da FIFA. O país possui excelentes condições para a escalada em neve e pedra. A Islândia também possui o maior número de vitórias em competições de homem mais forte do mundo.

A associação mais antiga da Islândia é a Associação de Tiro de Reiquiavique, fundada em 1867. Essa modalidade se tornou popular durante o século XIX e era bastante encorajada pelos políticos e simpatizantes pela independência. O tiro continua popular, principalmente com armas de pequeno porte.[22]

editar Culinária

O Papagaio-do-mar é parte da culinária islandesa.

A maioria das comidas tradicionais da Islândia é servida de peixe, carneiro e laticínios. Þorramatur é a comida nacional. Consiste de vários pratos, sendo usualmente consumido no mês de Þorri, no calendário nórdico.

A dieta islandesa hoje em dia é muito diversa, englobando a culinária de diversos lugares do mundo. O pequeno almoço (café-da-manhã) típico inclui pães (tais como o Laufabrauð), cereais e frutas. Assim como em outras sociedades ocidentais, restaurantes de fast-food são muito populares.

editar Entretenimento

Os maiores canais de televisão da Islândia são o Sjónvarpið, estatal, e os privados Stöð 2 e Skjár einn. Canais menores existem, porém a maioria de âmbito local. Transmissões de rádio são recebidas em todo o país, inclusive em algumas partes do interior. As principais estações de rádio são a Rás 1, a Rás 2 e a Bylgjan. Os jornais diários são o Morgunblaðið, o Fréttablaðið e o 24 stundir. Os sítios de intenet mais populares no país são o Vísir e o Mbl.is.[23]

A Islândia é o local de origem do programa animado LazyTown (em islandês: Latibær), do canal Nick Jr., um programa infantil criado por Magnús Scheving. Tornou-se muito popular entre crianças e adultos de mais de 98 países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Suécia e América Latina.[24] Os estúdios do LazyTown se localizam em Garðabær.

editar Música

A música islandesa se relaciona com a música nórdica, e inclui muitas tradições folclóricas populares. Entre os mais famosos estão o grupo de música medieval Voces Thules, o grupo de rock alternativo The Sugarcubes, as cantoras Björk e Emiliana Torrini; e o grupo Sigur Rós. O hino nacional da Islândia é o "Lofsöngur", escrito por Matthías Jochumsson, com música de Sveinbjörn Sveinbjörnsson [25].

Björk, uma das pessoas mais famosas da Islândia.

A música tradicional da Islândia é extremamente religiosa. Hallgrímur Pétursson escreveu muitos hinos protestantes durante o século XVII. Esse tipo de música se modernizou no século XIX, quando Magnús Stephensen introduziu o órgão, que mais tarde foram substituídos pelas gaitas. Outra tradição da música islandesa é a balada épica aliterativa chamada de Rímur, que geralmente é cantada a cappella seguindo rimas rigorosas.

A música contemporânea islandesa consiste de artistas como Sálin hans Jóns míns, Á móti sól, Rockstar: Supernova, Magni Ásgeirsson, Írafár, Í Svörtum Fötum, Quarashi, Bang Gang, Amiina, Skítamórall, Bubbi Morthens, Megas, Björgvin Halldórsson, e Páll Rósinkranz. A cena independente é bem forte na Islândia, com bandas como Múm, Sigur Rós e Mugison que são relativamente conhecidos fora da Islândia.

Muitos artistas e grupos alcançaram sucesso internacional, principalmente Björk, Sigur Rós, Quarashi, Ampop, Mínus e múm. O festival de música mais conhecido do país é o Iceland Airwaves, um evento anual em que bandas nacionais e internacionais ocupam os clubes de Reiquiavique por uma semana.

editar Feriados

Feriados
Data Nome em português Nome local Observações
De 18 de Janeiro a 16 de Fevereiro Festa de Meio-Inverno Þorrablót Antiga tradição viking, conhecida pela variedade de comidas, que inclui cabeça de cordeiro assada e carne de tubarão estragada.
17 de Junho Dia da Independência da Islândia. Þjóðhátíðardagur Íslands. Nesse dia, em 1944, a Islândia tornou-se independente da Dinamarca.
31 de Dezembro Ano Novo, literalmente, Dia do ano velho, Gamlársdagur Os fogos de artifício estouram quase ininterruptamente da véspera de Natal até ao dia 6 de Janeiro.

Referências

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