Fernão Peres de Trava (c. 1100 - 1161?) foi um nobre galego, conde de Trava e Trastâmara, suposto amante de D. Teresa, condessa de Portugal e mãe do rei D. Afonso Henriques.

Índice

editar Levantamento galaico-português

Fernão era filho de Pedro Froilaz de Trava, da Casa de Trava, a mais poderosa do Reino da Galiza na época. Participou na revolta galaico-portuguesa contra Urraca de Leão e Castela, liderada pelo seu pai em 1116, em aliança com Teresa de Leão. Esta insurreição pretendia defender os direitos de Afonso Raimundes coroado rei da Galiza, e garantir a autonomia do Condado Portucalense frente à rainha castelhano-leonesa.

Os triunfos nas batalhas de Vilasobroso e Lanhoso selaram a aliança entre os Trava e Teresa de Portugal. Fernão Peres de Trava passou assim a governar o Porto e Coimbra e a firmar com Teresa importantes disposições e documentos no condado de Portugal.

Com a morte de Urraca, Fernão tornou-se em um grande aliado do rei Afonso VII de Leão e Castela no Reino da Galiza. Tanto que lhe foi confiada a importante tarefa de ser preceptor do seu filho, o futuro rei Fernando II de Leão. A Crónica Latina de Castilla considera que a sua influência foi determinante para que, no testamento de Afonso VII, os reinos de Galiza e Leão se separassem de Castela e Toledo.

editar Derrota em Portugal

Teresa exerceu a regência do Condado Portucalense durante a menoridade de D. Afonso Henriques. Mas em 1122, sob a orientação do arcebispo Paio Mendes de Braga, Afonso pretendeu assegurar o seu domínio no condado e armou-se cavaleiro em Tui. Juntando os cavaleiros portugueses à sua causa contra Fernão Peres e Teresa de Leão, derrotou ambos na batalha de São Mamede em 1128, quando pretendiam tomar a soberania do espaço galaico-português, e assumiu o governo do condado.

editar Governo da Galiza

Mosteiro de Sobrado dos Monxes, fundação atribuída a Fernão Peres

A partir deste momento concentrou a sua influência na Galiza, assinando com Comes Fernandus de Gallecie. Aqui realiza um trabalho de apoio aos mosteiros cistercienses, podendo-se-lhe atribuir a fundação do Mosteiro de Sobrado dos Monxes. Disputou a liderança da Galiza com Diego Gelmírez, o influente arcebispo de Santiago de Compostela, com quem manteve um tenso entendimento.

Nas campanhas mouras, comandou as tropas galegas ao serviço de Afonso VII nas suas incursões contra os almóadas. As crónicas destacam o seu valor na conquista de Almería. Contra Portugal, defendeu com dificuldade o vale do Minho das investidas de Afonso Henriques, até à paz de Zamora de 1143.

São conhecidas também duas estadias na Terra Santa no final da segunda cruzada. Cedeu territórios aos Templários na actual costa da Corunha e foi quem introduziu esta ordem militar no Reino da Galiza.

editar Morte e posteridade

Morto provavelmente em 1161, foi sepultado no Mosteiro de Sobrado dos Monxes.

A sua neta D. Sancha, filha do conde Nuno de Lara e da sua filha Teresa Fernandes, foi esposa de Fernando II de Leão. Os seus descendentes mantiveram o protagonismo na corte de Leão. A sua irmã Estefânia Peres de Trava, contrairia matrimónio com Gutierre Ruíz de Castro, da família que em pouco tempo tomaria o relevo dos Trava no domínio da Galiza.


BIOGRAFIAS

A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | Z