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GlossĂĄrio da Roma Antiga

Ditador (do Latim dictator) era um cargo polĂ­tico da RepĂșblica Romana, criado em 501 a.C., preenchido apenas em condiçÔes excepcionais, sendo portanto uma magistratura extraordinĂĄria, isto Ă©, fora do cursus honorum. O conceito estava plenamente integrado no Ăąmbito da estrutura democrĂĄtica romana e nĂŁo tem qualquer relação com os requesitos de um ditador moderno, que se encontra normalmente Ă  cabeça de um regime autoritĂĄrio, se bem que esta noção foi inspirada na realidade romana.

O ditador era nomeado pelos consules do ano, autorizados para tal por um senatus consultum emitido pelo senado romano em circunstĂąncias de crise militar e/ou econĂŽmica. O cargo era o Ășnico posto da hierarquia polĂ­tica da RepĂșblica que nĂŁo obedecia aos princĂ­pios de colegialidade e responsabilidade, isto Ă©, o ditador nĂŁo tinha nenhum colega e nĂŁo era punĂ­vel perante a lei romana por nenhum dos seus atos. O ditador era atendido por 12 lictores (nĂșmero elevado para 24 por Sulla) e estava proibido de comandar divisĂ”es de cavalaria em campanha. Para suprir esta falta, e para servir como segundo em comando, o ditador nomeava um magister equitum (estribeiro-mor). O ditador detinha o poder absoluto pelo prazo mĂĄximo de 6 meses (tempo de duração, em cada ano, das guerras na antiguidade).

Em condiçÔes de perigo militar iminente para a RepĂșblica, o ditador (neste caso designado por dictatores rei gerendae causa) recebia um mandato com duração de seis meses ou enquanto se mantivesse o estado de emergĂȘncia, qualquer que fosse o perĂ­odo mais curto. Os melhores exemplos de nomeaçÔes deste tipo sĂŁo retirados das Guerras PĂșnicas com Cartago, sendo Quintus Fabius Maximus Cunctator o mais notĂĄvel. Numa altura em que o general AnĂ­bal Barca se encontrava Ă  solta na penĂ­nsula itĂĄlica com os seus exĂ©rcitos, a necessidade de nomear um ditador emergiu da falta de uniĂŁo entre as facçÔes polĂ­ticas romanas que tinha sido a causa dos desastres militares do Lago Trasimeno por exemplo. No fim das guerras pĂșnicas, o cargo de ditador foi abolido por ser considerado perigoso conceder a um Ășnico homem tanto poder. Em sua substituição criou-se a figura jurĂ­dica do senatus consultam ultimum que concedia aos consules, sempre dois, do ano poderes equivalentes ao do ditador para resolver qualquer emergĂȘncia. A principal diferença Ă© que estes nĂŁo ganhavam imunidade atravĂ©s da nomeação e nĂŁo actuavam sozinhos.

O cargo foi reintroduzido em 81 a.C. por Sulla, no fim da guerra civil com a facção de Gaius Marius, com a designação dictator rei publicae constituendae causa e a nuance de nĂŁo haver limite de tempo para o mandato. Sulla, porĂ©m, nĂŁo fez uso desta provisĂŁo e retirou-se voluntariamente da vida pĂșblica dois anos depois. Gaius Julius Caesar foi nomeado ditador romano em 46 a.C., tambĂ©m como corolĂĄrio de uma guerra civil, desta vez contra os optimates liderados por Pompeu. Para pacificar os seus pares que temiam o seu poderio crescente, Caesar preferiu ser nomeado de acordo com o conceito comtemporĂąneo das guerras pĂșnicas, que continha a clĂĄusula limitativa de tempo expandida no entanto para um ano em vez de seis meses. No ano seguinte foi reconduzido pelo senado para mais nove mandatos consecutivos de um ano e em 44 a.C. foi nomeado dictator perpetuus. Caesar nĂŁo foi longe no cargo de ditador perpĂ©tuo pois foi assassinado nos Idos de Março do mesmo ano.

O cargo de ditador foi uma vez mais abolido da lei romana após a morte de Caesar através das iniciativas legislativas de Marcus Antonius. O senado ofereceu mais tarde o posto a Caesar Augustus, que no entanto o recusou, pondo um ponto final na história dos ditadores romanos.

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