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Provável retrato de Colombo em pormenor de "Virgen de los Navegantes" pintado por Alejo Fernández entre 1500 e 1536, atualmente na "Sala de los Almirantes", no Reales Alcázares de Sevilla (foto por Manuel da Silva Rosa).
português Cristóvão Colombo
albanês Cristoforo Colombo
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castelhano Cristóbal Colón
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italiano Cristoforo Colombo
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catalão Cristòfor Colom
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chinês 克里斯托弗·哥伦布
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russo Христофор Колумб
sérvio Кристифор Колумбо
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japonês クリストファー コロンバス

Cristóvão Colombo (local incerto[1], c. 1437/1448Valladolid, 20 de Maio de 1506) foi um navegador e explorador que alcançou a América em 12 de Outubro de 1492 sob as ordens dos Reis Católicos de Espanha. Empreendeu a sua viagem através do Oceano Atlântico com o objectivo de atingir a Índia, tendo na realidade descoberto as ilhas das Caraíbas (Antilhas) e, mais tarde, a costa do Golfo do México na América Central.

Índice

editar Origem e controvérsias

Embora existam graves controvérsias quanto à sua origem, a teoria mais aceite desde 1892 é a genovesa[2], com base em certos testemunhos que assim o referem desde o final do século XV.

No entanto, o primeiro testemunho sobre a sua origem foi nos dado por duas vezes em 1486 no livro de contas de Pedro Diaz de Toledo quando este se referia a Colombo por "El Portugues".

Alguns autores referem-no também milanês, dado haver disputas fronteiriças entre os Estados de Milão e Génova à época de seu nascimento.

Actualmente, alguns autores levantam hipóteses tão distintas quanto ele ter nascido em Portugal[3], na Catalunha, no país Basco, na Galiza, na Córsega, na França e até mesmo na Grécia, atribuindo-lhe, entre esses, alguns ainda, ascendência judaica.

A teoria mais aceita pelos historiadores é a de que ele seria um tecelão de seda genovês, um homem simples da plebe[4]. Entre as críticas mais sérias a esta linha de raciocínio é a de que seria praticamente impossível, à época, que um homem de um estrato social inferior conseguisse casar com uma mulher da nobreza, vindo a adquirir os elevados conhecimentos e experiência de navegação que Colombo possuía[5]. Ele possuía, além desses conhecimentos, o de línguas (como o latim e o hebraico), de matemática, de cosmografia, de geometria, além de conhecer todos os instrumentos de marinha e navegação, a ponto de ter sido considerado por alguns como o mais instruído homem do mar em toda a Espanha[6].

Alguns historiadores têm procurado demonstrar que o navegador mentia propositadamente a Castela para ajudar Portugal e que tinha a ajuda de Américo Vespúcio nessa missão[7].

editar Casamento e descendência

A casa em que se acredita que Colombo tenha residido, na ilha de Porto Santo, na Madeira.

Em 1479 Colombo desposou Filipa Moniz, comendadora da Ordem de Santiago[8], cujo pai, Bartolomeu Perestrelo, português de ascendência italiana de Placência, foi um dos povoadores e capitão donatário da ilha de Porto Santo, no arquipélago da Madeira, em Portugal.

Da união nasceu um filho em 1480, Diogo Colombo, nomeado pela Coroa Espanhola como 2º Almirante e Vice-rei das Índias.

Colombo viveu desde 1485 em Castela, onde foi amante, em viúvo, de Beatriz Enríquez com quem teve um filho, em 1488, Fernando Colombo.

editar O projecto de Colombo

Portugal, à época, buscava uma passagem marítima para o Oriente, que lhe permitisse comerciar directamente com a Índia, de onde eram redistribuídas as especiarias oriundas das ilhas Molucas, a par de outros produtos de luxo. Via nesse projeto uma resposta cristã à hegemonia turco-egípcia, muçulmana, sobre a rota terrestre abastecedora da Europa, particularmente das cidades de Gênova e de Veneza.

Ver artigo principal: Descobrimentos portugueses

Como alternativa a esse projeto, Colombo concebeu atingir as Índias navegando para o Ocidente, contornando o planeta. As suas ideias básicas eram:

  • a esfericidade da Terra; e que
  • os mares eram formados por uma única massa.

Durante a sua estadia em Portugal, Colombo correspondeu-se com Paolo del Pozzo Toscanelli. Nessa correspondência passou intencionalmente a Toscanelli uma estimativa (incorreta) de que a distância era mais curta que a aceite pela Junta de Matemática de D. João II. Este órgão aceitava a afirmação de Ptolomeu de que a massa de terras (a Eurásia e a África) ocupava 180 graus da esfera terrestre, com 180 graus de mar. De facto só ocupa cerca de 120 graus. Colombo teria usado os cálculos de Pierre d'Ailly, acreditando que a massa ocupada por terras era de 225 graus, deixando 135 graus de mar e atribuindo um comprimento menor ao grau de longitude terrestre; estes factos, em conjunto com o globo de Martin Behaim, teriam tido a virtude de convencer os castelhanos, no Concelho de Salamanca onde apresentou o seu projeto a um grupo de religiosos e leigos, a patrocinar a sua expedição. A circunferência verdadeira da Terra é de aproximadamente quarenta mil quilómetros. Colombo teria afirmado que era de trinta mil e seiscentos quilómetros, estimando assim que a distância ao Japão era de cerca de quatro mil quatrocentos e quarenta e quatro quilómetros.

Colombo conseguiu finalmente fazer aprovar o projecto da sua viagem junto dos Reis Católicos, após a conquista de Granada, com a ajuda do confessor da rainha Isabel de Castela. Os termos da sua contratação tornavam-no almirante dos mares da Índia a descobrir e governador e vice-rei das terras do Oriente a que se propunha chegar, em competição com os portugueses que exploravam a Rota do Cabo.

editar As quatro viagens ao Novo Mundo

Mapa com as quatro viagens de Colombo.
Ilustração do desembarque de Colombo em São Salvador nas Bahamas.

Colombo partiu para a sua primeira viagem em 1492, com três pequenas embarcações: a nau Santa Maria e as caravelas Niña e Pinta. Tocou na Grã-Canária e rumou para Sudoeste; três meses depois chegou a um ilhéu das Bahamas a que deu o nome de São Salvador. Continuando a navegar costeou Cuba (segundo os próprios cubanos [9] o nome é derivado da palavra Taíno, "cubanacán", significando "um lugar central") e chegou ao Haiti a que deu o nome de Hispaniola. Convencido de ter chegado à Índia deixou lá uma pequena colônia e regressou à Europa.

Ver artigo principal: Fortaleza de La Navidad

A sua segunda viagem iniciou-se em 1493, com três naus e catorze caravelas. Nela avistou as Antilhas e abordou a Martinica. Rumou depois para o norte e alcançou Porto Rico. Foi a Hispaniola onde a pequena colônia tinha sido arrasada pelos indígenas. Tendo ali deixado outro contingente de homens, navegou para o ocidente e chegou à Jamaica. Nessa viagem fundou Isabela, atual Santo Domingo, na República Dominicana, a primeira povoação européia no continente americano.

Para a terceira viagem, partiu em 1498, com seis naus, tendo chegado à ilha da Trindade depois de uma atribulada viagem. Rumando ao sul chegou a uma grande terra que pensou ser uma ilha, a que chamou de Gracia. Rumando ao norte chegou a São Domingos, cidade formada por Fr. Bartolomeu de las Casas. Ali entrou em conflito com o governador vindo, ele e o irmão a ser presos e enviados para Castela.

Na quarta viagem, saiu de Cádiz com quatro naus em 1502, propondo-se uma vez mais a chegar ao Oriente. Avistou a Jamaica e, depois de grande tempestade, chegou à Ilha de Pinos nas Honduras. Avistou depois as costas da Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Devido ao péssimo estado das naus teve de regressar a Hispaniola, de onde voltou para Castela.

editar Os últimos anos de vida

Colombo sempre atribuiu as suas viagens ao desejo de converter novos povos ao Cristianismo, uma crença que se intensificou com a idade. Reivindicou ouvir vozes divinas, e procurou que se organizasse uma nova cruzada para capturar Jerusalém. Usava as vestes de franciscano, e descreveu as suas explorações ao "paraíso" como parte do plano divino de que resultaria o último julgamento e o fim do mundo.

Por outro lado, exigiu da Coroa castelhana dez por cento de todos os lucros nas terras novas de que viesse a tomar posse, conforme o acordo antecedente com os Reis Católicos. Como Colombo já não governava "as Índias", o novo monarca rejeitou estas pretensões. Os seus filhos processaram a Coroa castelhana para obter parte dos lucros do comércio com a América, mas perderam a causa cinqüenta anos mais tarde.

Razoavelmente rico devido ao ouro que os seus homens tinham acumulado em Hispaniola e particularmente honrado pelos seus filhos, Colombo faleceu em Valladolid a 20 de Maio de 1506.

Andres Bernaldez, cronista dos Reis Católicos, amigo íntimo e confidente de Colombo, atribui-lhe a idade de 70 anos à época do seu falecimento. Washington Irving, atribui-lhe 69 anos de idade quando faleceu, tendo nascido, desse modo, em 1437.

editar Restos mortais

Túmulo de Colombo na Catedral de Sevilha.
Farol a Colombo na República Dominicana.

Em 1509 os seus restos mortais foram transladados para a capela da ilha Cartuxa, em Sevilha.

Por desejo do seu filho, Diogo Colombo, as ossadas foram levadas para a Catedral de São Domingos, em 1542.

Em 1795 a ilha Hispaniola foi conquistada pela França, e parte dos seus restos mortais terão sido levados para Havana, em Cuba.

Em 1877, foi descoberta em São Domingos uma caixa de chumbo com a inscrição "Varón ilustre y distinguido Cristóbal Colón", contendo fragmentos de ossos. Estes restos permaneceram na Catedral de São Domingos até 1992, ano em que foram trasladados para o Farol a Colombo, um grande monumento construído pelo governo dominicano, para conservar os restos do Almirante, e onde também se supõe que repousam ainda alguns dos restos mortais de Colombo.

Em 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, outra parte dos seus restos regressou a Sevilha.

Em 2004 foi aberto o túmulo de Sevilha onde foram encontrados duzentos gramas de ossos (cerca de 15% do total), que análises feitas por arqueólogos e cientistas do DNA mitocondrial apontam que os restos mortais pertencem ao ilustre navegador.

Já foi pedida autorização às autoridades da República Dominicana para analisar o túmulo de São Domingos, autorização que foi rejeitada até ao momento.

editar Obra

A documentação escrita deixada por Colombo encontra-se num castelhano aportuguesado, que se acredita tenha aprendido em Portugal, onde residiu durante muitos anos e onde casou. Não se lhe conhecem escritos anteriores à sua passagem para Castela. Conserva-se uma única carta para ele, do rei D. João II de Portugal, quando Colombo já vivia fora de Portugal.

editar Armas originais

Uma grande confusão tem sido levantada em torno das armas originais, que o Colombo usava antes de Junho de 1493.

O historiador Manuel da Silva Rosa já havia referido esta confusão em sua obra e este enigma foi solucionado em 2006 com o achamento da Provisão Real com a assinatura dos Reis Católicos. Este documento demonstra o quanto fantasiosa tem sido a versão aceite historicamente de um Colombo genovês[10].

Notas

  1. A maioria dos historiadores aceita como local de nascimento a cidade de Gênova, Itália. No entanto algumas teorias dizem que Colombo seria português, outras ainda dão-no como natural da Catalunha, da Galiza, da Córsega e de outros mais lugares.
  2. (em inglês) Encyclopedia Britannica - acesso a 12-02-2007
  3. Mais propriamente em Cuba no Alentejo, como sustentado por José Rodrigues dos Santos em "O Codex 632".
  4. [1].
  5. O Mistério Colombo Revelado. Lisboa: Ésquilo, 2006.
  6. Entretanto, tendo falhado no objectivo a que se propôs, a abertura de um caminho marítimo pelo Ocidente até à Índia, a sua reputação em Castela sofreu bastante, sendo desacreditado por esse facto, uma vez comprovado pelos seus contemporâneos.
  7. O Mistério Colombo Revelado, Ésquilo: Lisboa, 2006.
  8. O Mistério Colombo Revelado. Lisboa: Ésquilo, 2006.
  9. [2]
  10. Brasão - Armas Originais do Almirante.

editar Bibliografia

  • COLOMBO, Cristovão. Diários da Descoberta da América: as quatro viagens e o testamento. Porto Alegre: L&PM, 1998. 200p. il. mapas. ISBN 8525409383
  • MARQUES, Alfredo Pinheiro. Portugal e o Descobrimento Europeu da América: Cristóvão Colombo e os Portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1992. 140p. il. mapas.
  • ROSA, Manuel da Silva; STEELE, Eric James. O Mistério Colombo Revelado. Lisboa: Ésquilo Edições, 2006. 640p. il. fotos, mapas. ISBN 972-8605-86-2

editar Ligações externas

editar Defensores da tese sobre a origem portuguesa da naturalidade de Cristóvão Colombo

editar Críticas a teses sobre a origem portuguesa de Cristóvão Colombo

editar Críticas às críticas de teses sobre Colombo

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