Crescônio ou Grescônio[1]foi bispo de Iria Flavia durante o século XI.
Índice |
editar Defesa do Reino da Galiza
No contexto das lutas entre Fernando I de Leão e Castela e o rei galaico-leonês Bermudo III, Galiza foi arrasada pela invasão dos normandos do conde dinamarquês Ulf. Ante tal ameaça, Crescônio assumiu o liderado da nobreza galega, reuniu um exército e derrotou os vikings perseguindo-os até à sua expulsão.
Fortificou o Castellum Honesti, hoje Torres do Oeste em Catoira no nascimento da ria de Arousa por bloquear futuras incursões através do rio Ulla.
Ergueu, assim mesmo, com idêntica finalidade as muralhas da cidade de Santiago de Compostela.
Nas sagas escandinavas Jacobsland (país de Santiago) era o nome que recebia o Reino da Galiza. Seu caráter de cidade santa estimulava a cobiça por se apoderar dos seus tesouros.
editar Engrandecimento de Santiago de Compostela
Crescônio procurou o engrandecimento da diocese de Iria Flavia-Santiago. Como depositária do ataúde do Apóstolo Santiago, considerava que lhe correspondia um lugar ponteiro entre os reinos da cristandade ocidental. Deste jeito, intitulava-se Episcopus Iriensis et Apostolicae Sedis.
A auto-proclamação de Santiago como Sé Apostólica, estando recente o cisma de Oriente com a sé apostólica de Santo André (Constantinopla) provocou a rápida repreensão de Roma. O papa Leão X reagiu contra o episcopus galliciensis, sendo excomungado no Concílio de Reims de 1049. Contudo, Crescônio, sem ver minguada a sua autoridade na Galiza e Leão, continuou a usar o título de bispo da Sé Apostólica, e assim o fizeram todos seus sucessores.
editar Governo da Igreja galega
Em 1060 presidiu o Concílio de Compostela, onde foi proibido o uso de armas aos clérigos e foram obrigados a se afastar das suas mulheres. Ordenou a apertura de escolas em igrejas e paróquias e combateu as superstições da Gallaecia.
Os bispos de Lugo, Dume, Oviedo e Porto reconheciam sua autoridade.
editar Figura política
Ganhou a confiança de Fernando I de Castela, logo de que este se fizera com o território da Galiza após as batalhas de Tamarón contra Bermudo III e Monterroso contra a nobreza galega. O monarca castelhano confiou-lhe a educação do seu filho Garcia da Galiza. Supostamente Crescônio convenceu-o para restaurar um reino da Galiza independente. Tal como for, Crescônio acabou coroando como monarca do Reino da Galiza a Garcia à morte do seu pai.
| Precedido por: Vistruário |
Bispo de Iria Flavia 1048 - c. 1066 |
Sucedido por: Gudesteo |
Referências e Notas
- ↑ referido como Gresconius na Historia Compostellana
editar Bibliografia
FLÓREZ, Enrique et al. (1792), «Vol XIX» España Sagrada. Theatro geographico-histórico de la Iglesia de España
