| Cerco de Lisboa | |||||||
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| Reconquista | |||||||
O Cerco de Lisboa por D. Afonso Henriques (1840), por Joaquim Rodrigues Braga |
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| Combatentes | |||||||
| Portugal Cruzados |
Mouros | ||||||
| Comandantes | |||||||
| D. Afonso Henriques Arnold III de Aerschot Christian de Ghistelles Henry Glanville Simon de Dover Andrew de Londres Saher de Archelle |
desconhecidos | ||||||
| Forças | |||||||
| desconhecidas | desconhecidas | ||||||
| Baixas | |||||||
| desconhecidas | desconhecidas | ||||||
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O Cerco de Lisboa, com inÃcio a 1 de Julho de 1147 e que durou até 25 de Outubro, e foi um episódio integrante do processo de Reconquista cristã da penÃnsula Ibérica, culminando na conquista desta importante cidade aos mouros pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185) com o auxÃlio dos Cruzados em trânsito para o Médio Oriente. Efetivamente, este episódio constituiu o único sucesso da Segunda Cruzada.
Após a queda de Edessa, em 1144, o Papa Eugénio III convocou uma nova cruzada para 1145 e 1146. O Papa ainda autorizou uma cruzada para a PenÃnsula Ibérica, embora esta fosse uma guerra desgastante de já vários séculos, desde a derrota dos Mouros em Covadonga, em 718. Nos primeiros meses da Primeira Cruzada em 1095, já o Papa Urbano II teria pedido aos Cruzados ibéricos (futuros Portugueses, Castelhanos, Leoneses, Aragoneses, etc.) que permanecessem na sua terra, já que a sua própria guerra era considerada tão valente como a dos Cruzados em direcção a Jerusalém. Eugénio reiterou a decisão, autorizando Marselha, Pisa, Génova e outras grandes cidades mediterrânicas a participar na guerra da Reconquista.
A 19 de Maio zarparam os primeiros contingentes de Cruzados de Dartmouth, Inglaterra, constituÃdos por Flamengos, Normandos, Ingleses, Escoceses e alguns cruzados Germanos. Segundo Odo de Deuil, perfaziam no total 164 navios — valor este provavelmente aumentado progressivamente até à chegada a Portugal. Durante esta parte da Cruzada, não foram comandados por nenhum prÃncipe ou rei; a Inglaterra estava em pleno perÃodo d'A Anarquia. Assim, a frota era dirigida por Arnold III de Aerschot (sobrinho de Godofredo de Louvaina), Christian de Ghistelles, Henry Glanville (condestável de Suffolk), Simon de Dover, Andrew de Londres, e Saher de Archelle.
A armada chegou à cidade do Porto a 16 de Junho, sendo convencidos pelo bispo do Porto, Pedro II Pitões, a tomarem parte nessa operação militar. Após a conquista de Santarém (1147), sabendo da disponibilidade dos Cruzados em ajudar, as forças de D. Afonso Henriques prosseguiram para o Sul, sobre Lisboa.
As forças portuguesas avançaram por terra, as dos Cruzados por mar, penetrando na foz do rio Tejo; em Junho desse mesmo ano, ambas as forças estavam reunidas, ferindo-se as primeiras escaramuças nos arrabaldes a Oeste da colina sobre a qual se erguia a cidade de então, hoje a chamada Baixa. Após violentos combates, tanto esse arrabalde, como o a Leste, foram dominados pelos cristãos, impondo-se dessa forma o cerco à opulenta cidade mercantil.
Bem defendidos, os muros da cidade mostraram-se inexpugnáveis. As semanas se passavam em surtidas dos sitiados, enquanto as máquinas de guerra dos sitiantes lançavam toda a sorte de projéteis sobre os defensores, o número de mortos e feridos aumentando de parte a parte.
No inÃcio de Outubro, os trabalhos de sapa sob o alicerce da muralha tiveram sucesso em fazer cair um troço dela, abrindo uma brecha por onde os sitiantes se lançaram, denodadamente defendida pelos defensores. Por essa altura, uma torre de madeira construÃda pelos sitiantes foi aproximada da muralha, permitindo o acesso ao adarve. Diante dessa situação, na iminência de um assalto cristão em duas frentes, os muçulmanos, enfraquecidos pelas escaramuças, pela fome e pelas doenças, capitularam a 24 de Outubro.
Entretanto, somente no dia seguinte, o soberano e suas forças entrariam na cidade, nesse meio tempo violentamente saqueada pelos Cruzados.
Decorrente deste cerco surgem os episódios lendários de Martim Moniz, que teria perecido pela vitória dos cristãos, e da ainda mais lendária batalha de Sacavém.
Alguns dos Cruzados estabeleceram-se na cidade, de entre os quais se destaca Gilbert de Hastings, eleito bispo de Lisboa.
Após a rendição uma epidemia de peste assolou a região fazendo milhares de vitimas entre a população.
Lisboa tornou-se, entretanto, capital de Portugal a 1255.
editar Referências
- Portal História: Da carta do cruzado sobre a conquista de Lisboa
- Odo de Deuil, De profectione Ludovici VII in orientem, Editado e traduzido por Virginia Gingerick Berry, Columbia University Press, 1948.
- RUNCIMAN, Steven, A History of the Crusades, vol. II: The Kingdom of Jerusalem and he Frankish East, 1100–1187. Cambridge University Press, 1952.
- OSBERNUS, De expugnatione Lyxbonensi
- SETTON, Kenneth, ed. A History of the Crusades, vol. I. University of Pennsylvania Press, 1958.
editar Ver também
- (em inglês) Osbernus, De expugnatione Lyxbonensi[1]
- Castelo de São Jorge
- Martim Moniz
- Batalha de Sacavém (um episódio considerado lendário pela historiografia actual, enquadrado nas manobras do cerco de Lisboa)
- Conquista de Lisboa aos Mouros (complemento ao v. 2) in: Júlio de Castilho. Lisboa Antiga. Lisboa: Sociedades Industriais da Câmara Municipal de Lisboa, 1936.
- Pedro Gomes Barbosa, 1147: Conquista de Lisboa aos Mouros, Lisboa, Tribuna da História, 2004.
