Um bispo (do grego antigo επίσκοπος, "inspetor", "supervisor") é um título religioso presente em diversas confissões cristãs, tendo cada uma o seu conceito e suas tradições específicas. Antes do Cristianismo, o termo era utilizado para designar todo tipo de administrador (melhor tradução) nos domínios civil, financeiro, militar e judiciário.
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editar Catolicismo
No conceito católico os bispos são os sucessores dos apóstolos, recebem com a ordenação episcopal a missão de santificar, ensinar e governar, a eles confiada no âmbito de uma circunscrição definida (diocese, arquidiocese, prelazia).
O episcopado é o último e supremo grau do sacramento da ordem. O bispo é também a autoridade máxima da Igreja particular em jurisdição e magistério.
Aos bispos compete ministrar o sacramento da ordem de modo exclusivo e também, na Igreja Latina, o sacramento da crisma. Ordenar presbíteros e diáconos, bem como conferir ministérios são funções exclusivas do bispo.
Conforme o Código de Direito Canônico, "os Bispos que, por divina instituição, sucedem aos Apóstolos, são constituídos, pelo Espírito que lhes foi conferido, pastores na Igreja, a fim de serem também eles mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo." (Cân. 375 §1)
editar Igrejas orientais
As igrejas orientais possuem exatamente o mesmo conceito de episcopado que a Igreja Católica. O bispo que governa uma diocese é chamado de eparca.
editar Igreja Anglicana
A Igreja Anglicana conservou as ordens históricas da Igreja Cristã: diáconos, presbíteros e bispos (sinal de sua catolicidade). Um novo bispo é sagrado por imposição de mãos de outros três bispos, cuja sucessão apostólica pode ser traçada de forma similar aos das igrejas Católica e Ortodoxas, embora a primeira não reconheça as ordens anglicanas, por entender que o Ordinal Eduardiano não conservou a forma devida e a sucessão se quebrou a partir do Revmo. Matthew Parker. Os anglicanos alegam que, mais importante que a rubrica, é o ato da imposição de mãos por outros bispos com sucessão apostólica, e que as palavras ditas na cerimônia de sagração mudaram tanto ao longo dos tempos que a alegação dos católicos não procede. No entanto, os Ortodoxos concordam com os católicos quanto à invalidade das ordenações anglicanas, por corrupção do ritual.
A maioria dos anglicanos vêem a sucessão apostólica como uma sucessão de pastores principais num padrão de liderança que remota ao tempo dos apóstolos e que evoluiu através dos séculos até atingir a sua forma atual.
O episcopado, adaptado à sua realidade histórica, com parte integrante da Tradição apostólica, faz parte da essência da Igreja, sendo um dos seus fundamentos juntamente com as Escrituras, o Credo e os Sacramentos.
Para os anglicanos o bispo é o pastor principal da Igreja, exercendo sua atividade na jurisdição de uma diocese (menor expressão da Igreja), tendo como seu papel apostólico a proclamação e o ensino, o provimento dos Sacramentos e a supervisão e liderança administrativa da Igreja.
O bispo é também símbolo de unidade, entre as comunidades de uma diocese e entre a diocese e toda a Igreja.
Na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil os bispos são eleitos pelo clero e povo. Nas dioceses autônomas a eleição acontece na assembléia máxima diocesana - o Concílio, nas dioceses missionárias, a eleição ocorre na reunião da Igreja a nível nacional que acontece de três em três anos, chamada de Sínodo. Com o propósito de manter a unidade, os bispos eleitos em concílios necessitam da aprovação da maioria dos bispos e dioceses.
editar Igreja Luterana
Na Igreja Luterana da Alemanha, Suécia, Dinamarca, Noruega, Polônia, Finlândia o regime episcopal foi mantido. Homens e mulheres são eleitos pelos sínodos e aprovados pelo parlamento (no caso da Dinamarca, Noruega, Finlândia e até recentemente Suécia) e são sagrados bispos. Uma lista de bispos luteranos pode ser encontrada aqui [1]. As denominações luteranas do Brasil não possuem bispos.
editar Igreja Batista
Embora quase toda a maioria das igrejas batistas sigam um regime congregacional, existe a Igreja Batista Episcopal na África, concentrada na República Democrática do Congo, Angola e Zâmbia.
editar Igreja Metodista
A Igreja Metodista, assim como as Igrejas Anglicanas, também é Episcopal em sua forma de governo. No entanto os bispos não são uma ordem especial ou diferente da ordem presbiteral. O bispo é apenas "primus inter pares". No metodismo, o episcopado surgiu na Conferência de Natal de 1784, que Fundou a Igreja Episcopal Metodista, em Baltimore, nos Estados Unidos. No Brasil, o primeiro bispo só foi eleito em 1930, ano da autonomia da Igreja Metodista do Brasil e em 1934 foi eleito o primeiro bispo metodista brasileiro, Revmo. Cesar Dacorso Filho. Atualmente, os bispos compõem o chamado Colégio Episcopal. O episcopado na Igreja Metodista brasileira não é vitalício.
editar Igrejas Neopentecostais
Algumas igrejas neopentecostais no Brasil também possuem em sua hierarquia a posição episcopal. Em algumas igrejas, o bispo é o representante máximo. Podemos citar o Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. Há também outras que possuem a posição bispo como um representante, da própria igreja, que administra alguma região, podemos citar a Igreja Apostólica Renascer em Cristo que possui vários bispos que administram as chamadas "regionais" mas não são independentes, estão subordinados ao líder, no caso o Apóstolo,no entanto os bispos não são uma ordem especial ou diferente da ordem presbiteral. O bispo é apenas "primus inter pares".
editar Ver também
editar Ligações externas
- Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
- Conferência Episcopal Portuguesa
- Conselho dos bispos Episcopais Latinos do Brasil
