Nota: Se procura o município do Piauí, consulte Beneditinos (Piauí).

São Bento de Núrsia, detalhe de um fresco de Fra Angelico, San Marco, Florença (c. 1400-1455).

A Ordem de São Bento ou Ordem Beneditina (Latim: Ordo Sancti Benedicti, sigla OSB) é uma ordem religiosa monacal católica que se baseia na observância dos preceitos destinados a regular a convivência comunitária. Foi composta no século VI, em 529 para a abadia de Montecassino, por Bento de Núrsia: a Regula Beneticti. A ordem não foi, porém, fundada por este santo, tendo antes nascido da reunião de vários mosteiros que professavam a sua regra, muito após a sua morte. Os monges desta ordem são conhecidos como beneditinos. Bento de Nursia contribuiu decididamente para a evangelização da Europa pelo que foi declarado "Patrono da Europa".

Hoje em dia, a Ordem está espalhada por todo o mundo, com mosteiros masculinos e femininos.

Seguindo o seu exemplo e inspiração, diversos fundadores de ordens religiosas têm baseado as normas e regras de seus mosteiros na "Regra" deixada por Bento, cujo princípio fundamental é Ora et labora, o que quer dizer "Reza e trabalha."

Os mosteiros beneditinos são sempre dirigidos por um superior que, dependendo da categoria do mosteiro, pode chamar-se de prior ou abade que é escolhido pelo restante da comunidade. o ritmo de vida beneditino tem como eixo principal o Oficio Divino, também chamado de Liturgia das Horas, que se reza sete vezes ao dia, tal como São Bento havia ordenado. Junto com a intensa vida de piedade e oração, em cada mosteiro se trabalha arduamente em diversas atividades manuais, agrícolas, etc. para o sustento e o autoabastecimento da comunidade.

Índice

editar A Ordem em Portugal

  • Nome - Beneditinos – O.S.B.
  • Nome oficial - Ordem de S. Bento (Ordem Beneditina)
  • Nome em Portugal - Ordem de S. Bento (Ordem Beneditina) / Província Portuguesa da Ordem Beneditina.
  • Entrada em Portugal - Séc. X.
  • Carisma e missão - Vida monástico-cenobítica.

editar Comunidades Diocesanas

  • Cela de N. Sra. da Graça - Lisboa
  • Mosteiro de S. Bento da Vitória - Porto
  • Mosteiro de S. Bento de Singeverga - Porto
  • Priorado de N. Sra. da Assunção - Lamego

editar Ver também

editar Papas que pertenceram à Ordem

Papa Início Término Período de Pontificado
São Gregório I, o Grande 3 de Setembro de 590 12 de Março de 604 14 anos 6 meses e 9 dias
São Bonifácio IV 25 de Agosto de 608 5 de Maio de 615 7 anos 9 meses e 10 dias
Papa Adeodato II 11 de Abril de 672 17 de Junho de 676 4 anos 2 meses e 6 dias
Papa João IX Janeiro de 898 Janeiro de 900 aprox. 2 anos
Papa Leão VII 3 de Janeiro de 936 13 de Julho de 939 3 anos 6 meses e 10 dias
Papa Silvestre II 2 de Abril de 999 12 de Maio de 1003 4 anos 1 mês e 10 dias
Papa Estêvão X 2 de Agosto de 1057 29 de Março de 1058 7 meses e 27 dias
São Gregório VII 22 de Abril de 1073 25 de Maio de 1086 13 anos 1 mês e 3 dias
Beato Vitor III 24 de Abril de 1086 16 de Setembro de 1087 1 ano 4 meses e 23 dias
Beato Urbano II 25 de Junho de 1088 8 de Setembro de 1099 11 anos 2 meses e 14 dias
Papa Gelásio II 10 de Março de 1118 29 de Janeiro de 1119 10 meses e 19 dias
Papa Gregório VIII 21 de Outubro de 1187 17 de Dezembro de 1187 1 mês 26 dias
Papa Nicolau III 25 de Novembro de 1277 22 de Agosto de 1280 2 anos 9 meses e 28 dias
São Celestino V 5 de Julho de 1294 10 de Dezembro de 1294 5 meses e 5 dias
Papa Clemente VI 7 de Maio de 1342 6 de Dezembro de 1352 10anos06memes30dias
Beato Urbano V 28 de Dezembro de 1362 19 de Setembro de 1370 7 anos 8 meses e 22 dias
Papa Pio VII 14 de Março de 1800 20 de Agosto de 1823 23 anos 5 meses e 6 dias

editar Reformas da Ordem Beneditina

Durante o transcurso da sua história, a Ordem Beneditina sofreu numerosas reformas, devido à eventual decadência da disciplina no interior dos mosteiros. A primeira reforma importante foi levada a cabo por São Juan De Perez Lloma no século X; esta reforma, chamada cluniacense (nome proveniente de Cluny, lugar da França onde se fundou o primeiro mosteiro desta reforma), chegou a tomar um grande impulso, até tal ponto que durante grande parte da Idade Média praticamente todos os mosteiros beneditinos estavam sob o domínio de Cluny.

Os cluniacenses adquiriram grande poder econômico e político, e os abades mais importantes chegaram a fazer parte das cortes imperiais e papais. Vários pontífices romanos foram beneditinos provenientes dos mosteiros cluniacenses (Alexandre II, 1061-73; S. Gregório VII, 1073-85; beato Vitor III, 1086-87; beato Urbano II, 1088-99; Pascoal II, 1099-1118; Gelásio II, 1118-19; et cétera).

Tanto poder adquirido levou à decadência da reforma cluniacense, que encontrou uma importante contraparte na reforma cisterciense, palavra proveniente de Cister (Cîteaux, em francês), na França onde se fundou o primeiro mosteiro desta reforma. São Roberto de Molesmes, S. Estevão Harding e S. Roberto de Chaise-Dieu foram os fundadores da Abadia de Cîteaux em 1098. Buscavam afastar-se do estilo cluniacense, que caíra na indisciplina e o relaxamento da vida monástica. O principal objetivo dos fundadores de Cister foi impor a prática estrita da Regra de São Benito e o regresso à vida contemplativa.

O principal impulsionador desta reforma foi S. Bernardo de Claraval (1090-1153), quem foi discípulo dos fundadores de Cîteaux, tendo ingressado ali por volta de 1108. Foi-lhe encarregada a fundação da Abadia de Claraval (Clairvaux em francês), da qual foi abade durante uns 38 anos, até sua morte. Bernardo de Claraval converteu-se no principal conselheiro dos papas, e vários dos seus monges chegaram igualmente a ocupar a Sede Pontifícia. Bernardo predicou também a Segunda Cruzada. Ao falecer levava fundados 68 mosteiros da sua ordem.

A reforma cisterciense subsiste até hoje como ordem beneditina independente, dividida igualmente em duos ramos: a Ordem Cisterciense da Comum Observância (O. Cist.) e a Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO), também conhecidos como Trapenses. São chamados também "beneditinos brancos", devido à cor do seu hábito, em contraste com os demais monges da Ordem de São Bento, chamados de "beneditinos negros".

Durante a Idade Média surgiram outras reformas importantes da Ordem Beneditina. A de S. Romualdo (†1027), quem deu começo à reforma camaldulense. Esta reforma subsiste até hoje em dois ramos: a primeira faz parte de Confederação Beneditina (beneditinos negros); a segunda é independente, mas rege-se igualmente pela Regra de São Benito. Outra reforma importante foi a empreendida por são Juan Gualberto (†1073), quem fundou os Beneditinos de Valle Umbrosa, pelo lugar na Itália em que se construiu o primeiro mosteiro desta reforma; é igualmente hoje em dia uma congregação da Confederação Beneditina. A reforma de S. Silvestre (1177-1267), fundador dos Beneditinos de Montefano, que subsiste também hoje como congregação associada à Confederação Beneditina. A reforma do beato Bernardo Tolomei (1272-1348), que deu origem aos Beneditinos de Monte Oliveto, hoje também parte integrante da Confederação Beneditina.

Após agitados períodos da história, como a Reforma na Alemanha e os Países Baixos, a expulsão ou execução de religiosos católicos por Henrique VIII em Inglaterra, seguido do período revolucionário na França, bem como também a decadência da disciplina nos mosteiros, levou a que se dizimara a população de monges. Depois da Revolução Francesa, foi Dom Prosper Guéranger quem fez renascer a ordem beneditina em Solesmes a partir de 1833, na França.

editar Hábito

Na Idade Media os monges beneditinos usavam camisa de lã e escapulário. O hábito ou vestidura superior é preto, pelo qual foram chamados de monges negros, em oposição aos cistercienses, que usam túnica e escapulário branco, denominados os monges brancos.

editar Ligações externas