| Batalha de Sacavém | |||||||
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| Reconquista Cristã | |||||||
Batalha de D. Afonso Henriques junto à Ponte Romana de Sacavém (1147) |
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| Combatentes | |||||||
| Cristãos (Portugueses e talvez Cruzados de outras nacionalidades) | Muçulmanos | ||||||
| Comandantes | |||||||
| D. Afonso Henriques | Bezai Zaide | ||||||
| Forças | |||||||
| 1500 homens (de acordo com a tradição) |
5000 homens (de acordo com a tradição) |
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| Baixas | |||||||
| n/d (elevadas) | c. 3000 mortos em combate, elevado número de afogados; remanescentes feitos prisioneiros | ||||||
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A mÃtica batalha de Sacavém terá sido um recontro travado entre o primeiro rei português, D. Afonso Henriques, e os Mouros, no inÃcio do cerco de Lisboa, em Julho de 1147, à s margens do Trancão, junto da antiga ponte romana que cruzava o rio.
editar Precedentes
Após a conquista de Santarém, Afonso Henriques preparou-se para tomar Lisboa e assim consolidar definitivamente não só a linha do Tejo como a própria independência de Portugal – o domÃnio do seu fértil vale garantia-lhe a plena auto-suficiência e malograva os planos leoneses de re-anexar Portugal.
Entretanto, espalhava-se pela Estremadura a notÃcia de que os cristãos já cercavam Lisboa, tornando-se imperativo ajudar à defender a todo o custo o derradeiro reduto muçulmano a Norte do Tejo.
Assim sendo, ter-se-iam reunido nas proximidades de Sacavém, a norte do seu rio, prontos a dar luta e a desbaratar as forças de Afonso Henriques, cerca de cinco mil muçulmanos oriundos não só da Estremadura (Alenquer, Lisboa e Sacavém), como até do Oeste (Óbidos e Torres Vedras) e do Ribatejo (Tomar e Torres Novas), sob o comando do wali (alcaide muçulmano) de Sacavém, Bezai Zaide.
editar Uma batalha, um milagre
Afonso Henriques dispunha apenas de uma força de mil e quinhentos guerreiros, e foi nessas condições que se iniciou a batalha, tendo como palco Sacavém de Baixo, na margem do rio de Sacavém, entre os actuais montes de Sintra e do Convento, junto à velha ponte romana, fortemente defendida pelos mouros, os quais haviam já iniciado a sua travessia, dispostos a desbaratar os portugueses.
Não obstante a significativa diferença numérica entre ambos os contendores, acabaram por vencer os cristãos; muito embora a maior parte destes últimos tenha perecido, conseguiram ainda assim matar três mil muçulmanos a fio de espada, tendo os restantes mouros afogado-se no rio ou sido feito prisioneiros.
Esta miraculosa vitória foi atribuÃda à divina intervenção da Virgem Maria, que teria feito aparecer durante o combate «muitos homens estranhos que pelejavam com os cristãos». Como Afonso Henriques contou com o apoio de Cruzados para tomar a capital, podemos partir do princÃpio, mais ou menos seguro, de que os homens estranhos (id est, «estrangeiros») a que a fonte se reporta seriam esses cristãos oriundos da Europa do Norte.
Conta-se aliás que Bezai Zaide, perante o sucedido, ter-se-ia convertido à fé cristã e sido inclusive o primeiro sacristão da ermida dedicada a Nossa Senhora dos Mártires (assim chamada em honra dos cristãos que caÃram na batalha), que D. Afonso Henriques ali mandou erguer passados poucos dias do recontro.
Ao mesmo tempo, o rei teria também mandado reconstruir a velha Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (que se quedara em ruÃna sob a ocupação muçulmana, apesar de estes terem aparentemente permitido a manutenção do culto cristão, mediante o pagamento de um dado tributo - a jizya - à s autoridades islâmicas), tendo feito dela sede paroquial de Sacavém e alterado a sua invocação, dedicando-a ora a Nossa Senhora da Vitória (em homenagem à sua estrondosa vitória sobre os mouros, devido à intercessão da Virgem).
editar Entre a história e a lenda
O primeiro a aludir a esta tradição foi o monge cistercience de Alcobaça, Frei António Brandão, na sua Monarquia Lusitana (fóls. 170, 170 v. e 171) – afirmando basear-se numa tradição, já velha, recolhida entre as gentes de Sacavém; também Miguel de Moura, nas suas inéditas Memórias da Fundação do Mosteiro de Sacavém, alude a essa lenda existente entre os sacavenenses, que mandou averiguar quando desejou erigir o Convento de Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição de Sacavém, no lugar da antiga ermida da Senhora dos Mártires, em 1577.
Contudo, não há quaisquer provas históricas que corroborem a existência de facto deste combate; as fontes coevas da conquista (como a conhecida Carta do cruzado inglês Randulfo ao clérigo Osberto de Baldreseia – a moderna Bawdsey, no Suffolk –, a qual relata em pormenor a expugnação da cidade), não fazem qualquer alusão a este embate às margens do rio de Sacavém.
No século XIX, o grande historiador e polÃtico Alexandre Herculano foi o primeiro a pôr em causa este facto, na sua conhecida História de Portugal. Hoje em dia, ela é comummente tida como sendo praticamente lendária, pelo menos com os contornos com que foi descrita...
