A baía de Guanabara localiza-se no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.
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editar Aspectos históricos
Habitada por diversos grupos indígenas, foi descoberta pela expedição exploradora portuguesa de 1501 (cujo comando é atribuído por alguns autores a Gaspar de Lemos), a 1 de Janeiro de 1502, que a confundiram com a foz de um grande rio, denominado como "rio de Janeiro". Os indígenas, entretanto, denominavam-na, em tupi-guarani, como Iguaá-Mbara (iguaá = enseada do rio, e mbará = mar).
Foi assim descrita por alguns de seus primeiros observadores:
- Toda a terra deste rio he de montanhas e serras muy altas. As melhores águas há neste rio que podem ser. (Pero Lopes de Sousa. Diário de Navegação. 1531)
- ...dentro da barra tem uma baía que bem parece que a pintou o supremo pintor arquiteto do mundo, Deus Nosso Senhor. (Padre Fernão Cardim, fins do século XVI)
O relevo que a enquadra, de contornos irregulares, conforma um porto de abrigo natural, favorável à actividade económica humana, da qual são exemplos as cidades do Rio de Janeiro e de Niterói.
Principal acesso à cidade do Rio de Janeiro durante séculos, acabou tragada pelo crescimento urbano a partir da segunda metade do século XX.
Atualmente conta com um tráfego intenso de navios, sendo significativa também a circulação das balsas, catamarãs e aero-barcos que ligam o centro do Rio de Janeiro à Ilha de Paquetá, à Ilha do Governador, ao centro de Niterói e a Charitas (Niterói). O trajeto para Niterói pode ser feito, desde 1974, pela Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Ponte Rio-Niterói.
editar Aspectos físicos
A baía é a resultante de uma depressão tectônica formada no Cenozóico, entre dois blocos de falha geológica: a chamada Serra dos Órgãos e diversos maciços costeiros, menores.
Constitui a segunda maior baía, em extensão, do litoral brasileiro, com uma área de aproximadamente 380 km².
Considerando-se a sua barra como uma linha imaginária que se estende da ponta de Copacabana até à ponta de Itaipu, esta sofre um estreitamento entre a ponta da Fortaleza de São João, na cidade do Rio de Janeiro, e a ponta da Fortaleza de Santa Cruz, na de Niterói, com uma largura aproximada de 1.600 metros. Relativamente a meio dessa passagem, ergue-se uma laje rochosa (ilha da Laje), utilizada desde os colonizadores como ponto de apoio à defesa da barra, o atual Forte Tamandaré (antigo Forte da Laje).
As profundidades médias na baía são de 3 metros na área do fundo, 8,3 metros na altura da Ponte Rio-Niterói e de 17 metros no canal de entrada da barra. Na área do fundo, onde desaguam a maior parte dos rios, o acúmulo de sedimentos constituiu manguezais, envoltos pela vegetação própria da Mata Atlântica.
editar Rios que desaguam na baía
- Rio Anil
- Rio Bomba
- Rio Guaxindiba
- Rio Iguaçu
- Rio Imboaçu
- Rio Irajá
- Rio Macacu
- Rio Maracanã
- Rio Méier, com 3.470 metros de extensão
- Rio Pavuna
- Rio Quitungo, com 3.560 metros de extensão
- Rio Sarapuí
- Rio Timbó
- Rio Trapicheiros
editar Ilhas na baía
No interior da baía concentra-se uma grande quantidade de ilhas e ilhotas, entre as quais se relacionam:
- Ilha d’Água
- Ilha da Boa Viagem
- Ilha da Conceição
- Ilha da Laje
- Ilha das Cobras
- Ilha das Enxadas
- Ilha das Flores (ilhas do Engenho, Ananases, Mexinguira e Carvalho)
- Ilha do Brocoió
- Ilha do Caju
- Ilha do Fundão
- Ilha de Mocanguê
- Ilha de Paquetá
- Ilha de Villegagnon
- Ilha do Bom Jesus da Coluna
- Ilha do Boqueirão
- Ilha do Governador
- Ilha do Rijo
- Ilha do Pinheiro
- Ilha do Sol
- Ilha Fiscal
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- Ilha dos Macacos
- Ilha Redonda de Dentro
- Ilha Aguaraíba, também chamada de Corneíba
- Ilha de Amacena, primitivo nome da ilha dos Melões (desaparecida com a construção do cais do porto).
- Ilha de Ananás, situada entre a ilha Mexingueira e a ilha das Flores, subordinada à Hospedaria de Imigrantes
- Ilha de Anhangaitá, também chamada Nnhanquetá
- Ilha da Araroeira
- Ilha de Aroeira, situado perto da ilha do Milho, frente à ponta do Bananal, na ilha do Governador
- Ilha do Baiacu, próxima à ilha do Governador
- Ilha de Bom Jardim, a Sudoeste da ilha do Governador, na enseada de Inhaúma
- Ilha do Braço Forte, no arquipélago das Jurubaíbas
- Ilha das Caabas, a Oeste da ilha do Fundão, quase unida à ilha Baiacu
- Ilha das Cabras
- Ilha de Caéns, primitivo nome da lha das Moças, desaparecida com a construção do cais do porto
- Ilha de Camambis Grande ou Cambembe, próxima à ilha do Governador, no canal Paranapucu
- Ilha de Cambambis Pequena, idem, ibidem
- Ilha de Cangurupis, de Dentro e de Fora: lajes situada próximo da ilha Brocoió.
- Ilha de Canhanhas, grandes pedras que se acham em uma das extremidades da coroa ao Sul da ilha do Governador e ao Norte da ilha Catalão
- Ilha da Caqueirada, com um morro de 299 metros de altitude. É o morro insular mais alto da Baía de Guanabara. Atualmente é chamada de Bom Jesus, onde existe uma Igreja do Bom Jesus, construída em 1702, onde está instalado o "Asilo dos Inválidos da Pátria", em grande prédio que pertenceu a um convento, motivo pelo qual esta ilha também já foi denominada de ilha dos Frades. Situado no arquipélago de Bom Jesus, próximo à ilha Pinheiros, formando um canal estreito
- Ilha da Cardosa, atualmente denominada de ilha Raimundo, em frente ao porto de Maria Angu
- Ilha do Carvalho, situada junto à ilha das Flores, separada por um canal, em frente ao município de São Gonçalo. Já foi chamada de Sete Semanas, Semana e ilha do Ajudante.
- Ilha de Itaóca, no arquipélago das Jurubaíbas
- Ilha do Catalão, na baía da Coroa Grande, próximo às ilhas Cabras e Fundão.
- Ilha dos Cocóis, pedras situadas próximo à ilha de Paquetá
- Ilha Comprida, situada no canal Paranapucu, entre a ilha do Governador e a praia de Brás de Pina
- Ilha dos Coqueiros, também chamada Boqueirão
- Ilha da Cruz das Almas
- Ilha dos Ferreiros, próximo à ponta do Caju, no arquipélago de Santa Bárbara
- Ilha dos Ferros, perto da ilha de Itaóca, no arquipélago das Jurubaíbas
- Ilha das Folhas, no arquipélago de Paquetá, próximo à ilha desse nome
- Ilha do Funil, em frente à praia de Copacabana.
- Ilha do Garavata
- Ilha do Garganta
- Ilha dos Gatos É um dos antigos nome da atual ilha do Governador, constante de velhos mapas.
- Ilha do Gravataí Situada entre as ilhas da Água e Casa de Pedra.
- Ilha de Inhaúma
- Ilha do Itamoguaiá - o padre Airosa diz ser o primitivo nome da atual ilha Villegagnon. Também Serigipe.
- Ilha do Itanhangá
- Ilha de Itaoca
- Ilha do Itaoquinha
- Ilha do Jaguarão
- Ilha de Jurubaíbas Duas são as ilhas deste nome: Jurubaíba de Cima e Jurubaíba de Baixo. Situado no extremo Leste do município do Rio de Janeiro.
- Ilha das Laranjeiras Pequeno ilhote, situado próximo à ilha do Governador.
- Ilha dos Lobos Pequena ilha situada no arquipélago de Paquetá, bem em frente à mesma e próximo da ponte das barcas.
- Ilha dos Macacos Moderna denominação da ilha Pinheiro, devido ao fato de servir para guarda dos macacos procedentes da África e destinados aos estudos de laboratório do "Instituto Osvaldo Cruz".
- Ilha da Madeira Posteriormente, segundo parece, foi chamada de ilha das Cabras, conforme se vê em antigas cartas, passando a corrupção de Cabras para Cobras. E a atual ilha das Cobras, vendida pelo seu antigo proprietário ao Governo, por 13$500 réis, hoje pertence ao Ministério da Marinha.
- Ilha da Mãe Maria
- Ilha de Manguinhos Situada na baía de Guanabara.
- Ilha do Maracajá É um dos antigos nomes da atual ilha do Governador.
- Ilha do Maracayaguaçu Nome tamoio da atual ilha do Fundão.
- Ilha do Marim Em alguns mapas antigos figura também com o nome de Mariri. Mais tarde, recebeu os nomes de Santo Antonio e Vital. Atualmente, é chamada ilha das Flores a nela esteve instalada a "Hospedaria de Imigrantes". Situada em frente ao município de São Gonçalo. O mesmo que Umarim e Mariri.
- Ilha do Mariri
- Ilha do MarquesSituado entre a ilha Bom Jesus e o continente.
- Ilha do Maruí
- Ilha do MaruimTambém chamada Miruí. Situado na enseada de Inhaúma.
- Ilha dos Melões, hoje desaparecida.
- Ilha da Mexingueira ou Moxingueira, é uma pequena ilha próximo à ilha do Ananás e à ilha das Flores, em frente ao município de São Gonçalo. Está sob a jurisdição do Ministério do Trabalho.
- Ilha do Milho, a Leste da ilha do Governador, entre as ilhas do Rijo e Aroeira.
- Ilha das Moças
- Ilha do Mosquito
- Ilha de Nhanquetá, ilhota próximo das ilhas Boqueirão e Governador.
- Ilha do Obu ou Bus, próxima à ilha do Governador.
- Ilha de Ostrabanda, entre a ilha Fundão e Bom Jesus.
- Ilha de Pancaraíba, no extremo Norte, pertence ao arquipélago de Paquetá.
- Ilha do Paranapocu, entre o continente (praias de Maria Angu e de Ramos), onde existe um balneário, nos subúrbios, e a ilha do Governador. Neste canal são encontradas as ilhas Raimundo, Comprida, do Anel e Cambambis.
- Ilha de Paranapuan, é um dos antigos nome da atual ilha do Governador.
- Ilha da Pavuna, na embocadura do rio deste tome.
- Ilha das Pedras da Passagem, entre a ilha Seca e a pedra Obu.
- Ilha do Pindaiz, dois ilhotes: Pindaiz de Cima e Pindaiz de Baixo.
- Ilha das Pitangas, pertence à freguesia de Paquetá.
- Ilha das Pitas, ao Sul de Paquetá.
- Ilha das PombasS, atual ilha de Santa Bárbara, situada em frente ao cais do porto.
- Ilha do Pombeba Situado em frente à praia de São Cristóvão.
- Ilha Raimunda Pequeno grupo de pedras e ilhotas, perto da ponta Pelônia.
- Ilha de Santa Bárbara
- Ilha de Sapucaia Serve atualmente para deposito de lixo da cidade. Situado entre a ponta do Caju, a ilha Pinheiro e a antiga Caqueirada (Bom Jesus).
- Ilha do Sarapuí
- Ilha do Saravatá Esta ilha já foi chamada Camarão. Situada em frente à foz do rio Meriti ("lugar onde abundam mosquitos"; sezões) e da pedra do Lagarto, da penha de Irajá, e da ilha do Governador. Pertence à freguesia de Irajá.
- Ilha Seca, entre a ilha do Governador e as pedras da Passagem.
- Ilha da Semana, um dos antigos nome da atual ilha do Carvalho.
- Ilha do Serigipe Nela foi instalado o Forte Coligny, sede do temporário governo do Almirante Villegagnon, que, afinal, deixou seu nome nesta ilha. Atual sede da Escola Naval. Também já foi chamada do Degredo e Itamoguaiá, seg. P. Airosa.
- Ilha das Sete Semanas, também chamada Forras, Semanas e Santa Rosa, próximo à ilha de Paquetá.
- Ilha do Taibacis ou Itapacia, ilhota pertencente ao arquipélago de Paquetá.
- Ilhas dos Tapuamas (Tapuamas de Fora e Tapuamas de Dentro), no extremo Leste e pertencentes ao arquipélago das Jurubaíbas, na freguesia de Paquetá.
- Ilha dos Taputeias, na freguesia de Paquetá.
- Ilha do Tipiti-Açu, próximo às ilhas Boqueirão e Governador.
- Ilha de Tipiti-Mirim, ilhote junto ao Tipiti-açu.
- Ilha do Umarim
- Ilha de Viraponga, entre as ilhas Boqueirão, Governador e Paquetá. No "Plano da Cidade do Rio de Janeiro", sem data (Biblioteca Nacional), figura com o nome de Neraponga.
- Ilha do Xaréu
editar Aspectos naturais
A baía abriga dezenas de espécies botânicas, zoológicas e ictiológicas. Entre as espécies que habitam ou procuram a baía de Guanabara para se alimentar ou se reproduzir, destacam-se:
A baía integrava a rota migratória das baleias francas que buscavam as suas águas quentes para procriar, no inverno austral. Até ao século XVIII, a armação (pesca) de baleias foi uma atividade expressiva na baía de Guanabara.
editar Aspectos de meio-ambiente
Diante da perda secular de áreas de manguezal, exploradas sob os mais variados aspectos, a baía atualmente agoniza, vítima da poluição dos esgotos domiciliares e industriais, além dos derrames de óleo e da crecente presença de metais pesados em suas águas. À época do Descobrimento, estima-se que essas áreas cobriam 300 km²; dados da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, em 1997, indicavam que elas se encontravam reduzidas a apenas cerca de 60 km².
Embora as águas da baía se renovem em contato com as do mar, ela é a receptora final de todos os efluentes líquidos gerados nas suas margens e nas bacias dos 55 rios e riachos que a alimentam. Entre as fontes potenciais de poluição contam-se 14.000 estabelecimentos industriais, quatorze terminais marítimos de carga e descarga de produtos oleosos, dois portos comerciais, diversos estaleiros, duas refinarias de petróleo, mais de mil postos de combustíveis e uma intrincada rede de transporte de matérias-primas, combustíveis e produtos industrializados permeando zonas urbanas altamente congestionadas.
A bacia que drena para a Baía de Guanabara tem uma superfície de 4.000 km², integrada pelos municípios de Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, São Gonçalo, Magé, Guapimirim, Itaboraí, Tanguá e partes dos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, Cachoeiras de Macacu, Rio Bonito e Petrópolis, a maioria localizada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Esta região abriga cerca de dez milhões de habitantes, o equivalente a 80% da população do estado do Rio de Janeiro e apresentou, no período 1980-1991, a maior taxa de crescimento do País. Mais de 2/3 dessa população, 7,6 milhões de habitantes, habitam na bacia da Baía de Guanabara.
A partir da década de 1990 vem sendo objeto de um dos maiores projetos de recuperação ambiental, com verbas do BIRD e do Governo do Japão, cujas obras, atualmente, encontram-se paralisadas.
editar Causas da degradação ambiental
editar Aterros e assoreamento
Alguns trechos de suas margens foram aterrados para a construção de cais e de vias públicas, como o Aterro do Flamengo, a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Rodovia Niterói-Manilha, entre outros.
editar Destruição de manguezais
Dos 260km² originalmente cobertos por manguezais no entorno da baía, restam hoje apenas 82 km². A destruição desta formação vegetal causa a redução da capacidade de reprodução de diversas espécies de vida aquática e intensifica o processo de assoreamento que, ao longo do tempo, resulta na progressiva redução de profundidade da Baía.
editar Poluição industrial
Cerca de 400 indústrias, do total de 14.000, são responsáveis pelo lançamento de quantidades expressivas de poluentes na Baía de Guanabara e nos rios da sua bacia. A maior dessas indústrias, a Refinaria Duque de Caxias (REDUC), da Petrobras, contribui com elevada carga de derivados de petróleo e metais pesados.
Uma estimativa da carga diária de poluentes despejada na baía, considera:
- 400 toneladas de esgoto doméstico
- 64 toneladas de lixo orgânico industrial
- 7 toneladas de óleo
- 300 quilos de metais pesados
editar Acidentes ambientais
Somam-se, ainda, os acidentes ambientais como vazamentos de óleo, que ocorrem com certa freqüência nas refinarias, portos comerciais, estaleiros e postos de combustíveis. Como exemplo, ocorreu em janeiro de 2000 um vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, causando grandes danos aos manguezais, praias e à população de pescadores, ou em março de 2006, diante de uma mortandade de peixes e óleo invadindo a praia de Ramos, os moradores da região acusando o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim por lavar os aviões e deixar óleo escoar para as águas da baía.
editar Maravilhas naturais
Tal como com outras listas, não existe consenso sobre as sete maravilhas naturais. Uma lista foi compilada pela CNN[1]:
- Grand Canyon, nos EUA;
- Grande Barreira de Coral, na Austrália;
- Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, Brasil;
- Monte Everest, na divisa entre Nepal e China;
- Aurora boreal, na região polar do planeta;
- Vulcão Paricutín, no México;
- Cataratas Vitória (Victoria Falls), entre Zâmbia e Zimbábue.
