Esta é uma lista de reis de Portugal, desde a independência do Reino de Leão em 1139 até à implantação da República em 5 de Outubro de 1910. A título prévio, são mostrados também os condes de Portugal que antecederam directamente o primeiro rei português.
Índice |
editar Condado Portucalense
- Casa reinante: Casa de Vímara Peres
Foram condes da casa de Vímara Peres (nem sempre em linha recta, mas recorrendo às vezes à sucessão congnática):
- Vímara Peres (c. 868-873)
- Lucídio Vimaranes (filho do precedente - 873-?)
- Onega Lucides (filha do precedente) ∞ Diogo Fernandes (?-antes de 924)
- Mumadona Dias (filha dos precedentes) ∞ (926) Hermenegildo Gonçalves (também chamado Mendo I Gonçalves, filho do conde Gonçalo Afonso Betote)
- Gonçalo I Mendes (filho dos precedentes) (c. 950-999; em 997 intitula-se magnus dux portucalensium)
- Mendo II Gonçalves (filho [ou neto?] do precedente) (999-1008) ∞ Tutadona Moniz
- Alvito Nunes (descendente de Vímara Peres, casado com a condesa Tutadona Moniz) (1008-1015)
- Ilduara Mendes (filha de Mendo Gonçalves) ∞ Nuno II Alvites (filho do precedente) (1017-1028)
- Mendo III Nunes (1028-1050)
- Nuno II Mendes (1050-1071) - último conde da família de Vímara Peres; derrotado pelo rei Garcia da Galiza na batalha de Pedroso.
(As datas entre parêntesis indicam o período durante o qual existem documentos assinados pelo conde em causa, e que permitem assim determinar o seu tempo de governo).
- Casa reinante: Borgonha
- D. Henrique da Borgonha, Conde de Portucale (r. 1093-1112)
- D. Teresa (Tareja) de Leão, regente na menoridade do filho (r. 1112 - 1128), com o título de regina («rainha»)
- D. Afonso Henriques, Conde de Portucale e depois primeiro Rei de Portugal (r. 1112 - 1139)
editar Primeira Dinastia – de Borgonha ou Afonsina
| # | Nome | Início do governo | Fim do governo | Cognome(s) | Notas | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | D. Afonso I | 27 de Julho de 1139 | 6 de Dezembro de 1185 | O Conquistador O Fundador O Grande |
Também chamado D. Afonso Henriques (Afonso, filho de D. Henrique; aqui radica a designação que os muçulmanos lhe atribuíram, Ibn-Arrik - «filho de Henrique»). | |
| 2 | D. Sancho I | 6 de Dezembro de 1185 | 27 de Março de 1211 | O Povoador | ||
| 3 | D. Afonso II | 27 de Março de 1211 | 25 de Março de 1223 | O Gordo O Crasso O Gafo O Legislador |
||
| 4 | D. Sancho II | 25 de Março de 1223 | 1247 | O Capelo O Piedoso O Pio |
Deposto pelo Papa Inocêncio IV no I Concílio de Lyon, em 1245, sob a acusação de «rex innutilis», viria a abdicar em 1247, exilando-se em Toledo, e vindo a falecer pouco tempo depois, em inícios de 1248. | |
| 5 | D. Afonso III | 3 de Janeiro de 1248 | 16 de Fevereiro de 1279 | O Bolonhês | Regente de Portugal, sob o título de Procurador e Defensor do Reino, desde 21 de Setembro de 1245, até à data da morte do irmão, quando assume plenamente a realeza. | |
| 6 | D. Dinis I | 16 de Fevereiro de 1279 | 7 de Janeiro de 1325 | O Lavrador O Rei-Trovador O Rei-Poeta O Rei-Agricultor |
||
| 7 | D. Afonso IV | 7 de Janeiro de 1325 | 28 de Maio de 1357 | O Bravo | ||
| 8 | D. Pedro I | 28 de Maio de 1357 | 18 de Janeiro de 1367 | O Justiceiro O Cruel O Cru O Vingativo O Tartamudo O Até-ao-Fim-do-Mundo-Apaixonado |
||
| 9 | D. Fernando I | 18 de Janeiro de 1367 | 22 de Outubro de 1383 | O Formoso O Belo O Insconstante O Insconsciente |
||
| (10) | D. Beatriz I | 22 de Outubro de 1383 | 6 de Abril de 1385 | (ver nota 1) |
editar Interregno (1383 - 1385)
Designação dada pela historiografia oficial ao período que medeia a morte de D. Fernando e a ascensão ao trono do seu meio-irmão, o Mestre de Avis D. João, e que compreende as regências de Leonor Teles e do próprio Mestre de Avis.
| # | Nome | Início do governo | Fim do governo | Notas | |
|---|---|---|---|---|---|
| D. Leonor Teles de Menezes | 22 de Outubro de 1383 | 16 de Dezembro de 1383 | Exerce a regência em nome da sua filha D. Beatriz | ||
| D. João, Mestre de Avis | 16 de Dezembro de 1383 | 6 de Abril de 1385 |
editar Segunda Dinastia – de Avis ou Joanina
| # | Nome | Início do governo | Fim do governo | Cognome(s) | Notas | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 11 (10) | D. João I | 6 de Abril de 1385 | 14 de Agosto de 1433 | O da Boa Memória | ||
| 12 (11) | D. Duarte I | 14 de Agosto de 1433 | 9 de Setembro de 1438 | O Eloquente O Rei-Filósofo |
||
| 13 (12) | D. Afonso V | 9 de Setembro de 1438 | 11 de Novembro de 1477 | O Africano | Abdica em favor do filho, que assumia já as funções de regente do Reino. | |
| 14 (13) | D. João II | 11 de Novembro de 1477 | 15 de Novembro de 1477 | O Príncipe Perfeito O Tirano |
É aclamado rei nas Cortes de Santarém de 1477; abdica ao regressar ao Reino o seu pai. | |
| 13 (12) | D. Afonso V | 15 de Novembro de 1477 | 28 de Agosto de 1481 | O Africano | Reassume a realeza. | |
| 14 (13) | D. João II | 28 de Agosto de 1481 | 25 de Outubro de 1495 | O Príncipe Perfeito O Tirano |
| # | Nome | Início do governo | Fim do governo | Cognome(s) | Notas | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 15 (14) | D. Manuel I | 25 de Outubro de 1495 | 13 de Dezembro de 1521 | O Venturoso O Bem-Aventurado O Afortunado |
(ver nota 2) | |
| 16 (15) | D. João III | 13 de Dezembro de 1521 | 11 de Junho de 1557 | O Piedoso O Pio |
||
| 17 (16) | D. Sebastião I | 11 de Junho de 1557 | 27 de Agosto de 1578 | O Desejado O Encoberto O Adormecido |
||
| 18 (17) | D. Henrique I | 27 de Agosto de 1578 | 31 de Janeiro de 1580 | O Casto O Cardeal-Rei O Eborense/O de Évora |
||
| - | Conselho de Governadores do Reino de Portugal |
31 de Janeiro de 1580 | 24 de Julho de 1580 | |||
| 19 (18) | D. António I | 24 de Julho de 1580 | 25 de Agosto de 1580 (em Portugal Continental) 1583 (na ilha Terceira) |
O Prior do Crato O Determinado O Lutador O Independentista |
(ver nota 3) |
editar Terceira Dinastia – Filipina, de Habsburgo ou de Áustria
Os soberanos desta dinastia foram também reis de Castela, Países Baixos, Nápoles, Sicília, Leão, Aragão, Valência, Galiza, Navarra, Granada, duques da Borgonha, etc., títulos genericamente reunidos sob a designação de Reis de Espanha.
| # | Nome | Início do governo | Fim do governo | Cognome(s) | Notas | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 20 (19) | Filipe I | 17 de abril de 1581 | 13 de Setembro de 1598 | O Prudente | também Filipe II em Espanha (1556-1598) (ver nota 4) | |
| 21 (20) | Filipe II | 13 de Setembro de 1598 | 31 de Março de 1621 | O Pio O Piedoso |
Filipe III em Espanha (1598-1621) | |
| 22 (21) | Filipe III | 31 de Março de 1621 | 1 de Dezembro de 1640 | O Grande | Filipe IV em Espanha (1621-1665) |
Durante este período de sessenta anos, os reis fizeram-se representar em Portugal por um vice-rei ou um corpo de governadores - veja a lista de vice-reis durante a dinastia filipina.
À revolta de 1 de Dezembro de 1640 seguiu-se a Guerra da Aclamação, depois chamada, pela historiografia romântica do século XIX, como Guerra da Restauração. |}
editar Quarta Dinastia – de Bragança ou Brigantina
| # | Nome | Início do governo | Fim do governo | Cognome(s) | Notas | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 33 (32) | D. Pedro V | 15 de Novembro de 1853 | 11 de Novembro de 1861 | O Esperançoso O Bem-Amado O Muito Amado |
Regência do pai D. Fernando (15 de Novembro de 1853 - 16 de Setembro de 1855) | |
| 34 (33) | D. Luís I | 11 de Novembro de 1861 | 19 de Outubro de 1889 | O Popular O Bom O Rei-Marinheiro |
||
| 35 (34) | D. Carlos I | 19 de Outubro de 1889 | 1 de Fevereiro de 1908 | O Diplomata O Martirizado O Mártir O Oceanógrafo O Rei-Pintor |
(ver nota 6) | |
| 36 (35) | D. Manuel II | 1 de Fevereiro de 1908 | 5 de Outubro de 1910 | O Patriota O Desventurado O Estudioso O Bibliófilo O Rei-Saudade |
Implantação da República |
editar Notas
(1) Rainha de jure e de facto (era a única herdeira legítima do trono deixado vago pela morte de D. Fernando I), D. Beatriz, casada com João I de Castela, foi aclamada Rainha em grande parte do Reino, exercendo a regência em seu nome, durante quase dois anos, a rainha-viúva, sua mãe D. Leonor Teles de Menezes; o seu marido D. João de Castela acrescentou mesmo o senhorio dos Reinos de Portugal e Algarve aos seus títulos, e mandou cunhar moeda com as armas de Leão e Castela partidas com as de Portugal. Contudo, desde o início do reinado, várias vilas e cidades do reino começaram-se a revoltar, temendo a perda da independência, vindo paulatinamente a engrossar o partido que se foi constituindo à roda do Mestre de Avis. Com a subida ao trono do Mestre de Avis, após as Cortes de Coimbra de 1385, a historiografia oficial passou a negar a realeza de D. Beatriz e até, em alguns casos extremos, a negar ser filha biológica de D. Fernando, por forma a refutar o facto de ter sido rainha de Portugal.
(2) Por morte de D. João II sem filhos legítimos (o príncipe D. Afonso falecera em condições trágicas nunca completamente esclarecidas em 1491), nem irmãos sobrevivos (a infanta Santa Joana, sua irmã, falecera em 1490), não obstante haver tentado legitimar um seu bastardo, o infante D. Jorge de Lencastre, futuro Duque de Coimbra, a Coroa Portuguesa acabou por passar para o seu primo e cunhado D. Manuel, Duque de Beja, o qual era filho de D. Fernando, Duque de Viseu (irmão do rei D. Afonso V), e de D. Beatriz (filha do infante D. João, o penúltimo dos membros da Ínclita Geração). Assim, embora pelo lado do pai fosse neto do rei D. Duarte, e pelo lado da mãe, bisneto de D. João I, o facto de não ser herdeiro directo, mas sim colateral, leva a que surjam, por vezes, referências a uma quebra na dinastia de Avis ao nível da casa reinante, considerando-se inaugurada assim a Casa de Avis-Beja (em homenagem ao ducado no qual fora investido por D. João II, e que detinha à data da sua aclamação, em 1495), a qual se manteria no poder até ao fim da dinastia, em 1580.
(3) D. António I foi rei de Portugal desde 19 de Junho de 1580, data da sua formal aclamação ao trono em Santarém, até à derrota na batalha de Alcântara, a 25 de Agosto seguinte. Continuou a reinar no entanto "de jure" a partir do estrangeiro, e reinou "de facto" até 1583 no território açoriano, onde prosseguiu a guerra ao invasor. A historiografia oficial negou-lhe a condição de rei (por ser tido como filho bastardo e cristão-novo o que não é verdade pois era real a Legitimidade de D. António), tanto sob os Filipes, como também sob os Braganças. Deve-se a uma obra do Professor Joaquim Veríssimo Serrão a reabilitação da sua figura, que deve assim figurar no número dos reis de Portugal, posto embora a brevidade do seu reinado.
(4) Filipe II começou logo a exercer o seu poder ainda em 1580, embora apenas parcialmente, pois ainda não dominava todo o território; só em 1581, com as Cortes de Tomar, se tornou Rei de Portugal de jure, e apenas em 1583 conseguiu abafar todos os pontos que ainda eram afectos ao Prior do Crato.
(5) Esta alegada mudança de nome na Dinastia de Bragança, reinante em Portugal, por morte de D. Maria II, para Bragança-Saxe-Coburgo-Gotha (ou mais correctamente, Bragança-Wettin), não é de todo reconhecida pela historiografia portuguesa, sendo antes uma criação das historiografias estrangeiras (sobretudo a francesa, que não reconhece a sucessão por via feminina, fazendo assim aplicar à dinastia reinante em Portugal o nome dinástico do rei consorte). Assim, embora a linha de sucessão prossiga em linha recta, pelo casamento da Rainha D. Maria II com um príncipe estrangeiro (D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha), teria cessado na Casa Real portuguesa a varonia de D. Afonso Henriques, mantida ao longo de sete séculos (note-se que a outra rainha portuguesa, D. Maria I, casara com o tio D. Pedro III, pelo que se manteve o sangue do primeiro rei de Portugal), tendo então passado a correr o sangue da casa de Wettin nas veias dos Bragança. Contudo, em Portugal sempre as mulheres puderam transmitir o nome, bem como o património, na falta de herdeiro varão na família. Isto leva a encontrar-se por vezes escrito, entre historiadores estrangeiros, a existência de uma quinta dinastia em Portugal - uma divisão aparentemente artificial dentro da última dinastia real portuguesa, governada pela suposta casa de Bragança-Wettin, a qual compreenderia os reis entre D. Pedro V e D. Manuel II. Para todos os efeitos, considera-se mais válida a divisão tradicional em quatro dinastias, face à legalidade da designação de dinastia de Bragança, única utilizada, e determinada pela Casa Real e pela generalidade das pessoas, até 1910 e depois dessa data.
(6) O herdeiro do trono, D. Luís Filipe, Príncipe Real de Portugal, ainda que tenha sobrevivido escassos minutos ao seu pai, não foi nunca considerado como rei de Portugal (embora tenha sido chamado, por alguns estrangeiros, de D. Luís II); nem o poderia ser, pois em Portugal só eram considerados reis "de jure" os príncipes depois de jurarem os foros, liberdades e garantias no acto da sua aclamação ao trono (até 1834), ou de jurarem a Constituição (depois daquela data), em sessão solene e plenária das Cortes. Desta forma, o trono recaiu de imediato no seu irmão mais novo, D. Manuel II, depois de juramentado.
(*) Todos estes reis foram também soberanos do reino do Algarve, a partir de D. Afonso III; antes dele, D. Sancho I usou esse título (ou o alternativo rei de Silves) entre 1189 e 1191.
editar Titulatura régia
Ao longo da história, o título oficial dos Reis de Portugal foi sendo alterado. Os Reis de Portugal (e antes deles, os Condes de Portucale) tiveram os seguintes títulos:
| Período | Título | Usado por | Motivo |
|---|---|---|---|
| 1096–1112 | Conde de Portucale (Comes Portugalensis) Pela Graça de Deus, Conde e Senhor de Todo o Portucale (Dei Gratiae, Comes et Totius Portugalensie Dominus) |
Henrique de Borgonha | |
| 1112–1128 | Rainha de Portucale (Portucalensis Regina) |
Teresa de Leão | De acordo com a tradição peninsular, as filhas dos reis podiam-se intitular sempre rainhas, ainda que não o fossem de facto. |
| 1128–1140 | Duque de Portucale (Dux Portugalensis) |
Afonso Henriques | Sendo neto do Imperador Afonso VI, D. Afonso Henriques usará a intitulação de Dux, e já não a de Comes, como fez seu pai. |
| 1140–1189 | Pela Graça de Deus, Rei dos Portugueses (Dei Gratiae, Rex Portugalensium) |
D. Afonso Henriques, D. Sancho I | Afonso Henriques proclamado rei. |
| 1189–1191 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e de Silves (Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Silbis) Pela Graça de Deus, Rei de Portugal, de Silves e do Algarve (Dei Gratiae, Rex Portugaliae, Silbis & Algarbii; esta intitulação surge em dois documentos nos quais D. Sancho restaura a diocese de Silves em favor de D. Nicolau) |
D. Sancho I | Tomada de Silves (1189). |
| 1191–1211 | Pela Graça de Deus, Rei dos Portugueses (Dei Gratiae, Rex Portugalensium) |
D. Sancho I | Perda de Silves, retomada pelos Almóadas (1191). |
| 1211–1248 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal (Dei Gratiae, Rex Portugaliae) |
D. Afonso II, D. Sancho II | |
| 1248–1259 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e Conde de Bolonha (Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Comes Boloniae) |
D. Afonso III | Afonso, casado com Matilde II, condessa de Bolonha, ascende ao trono por morte do irmão sem herdeiros. |
| 1259–1267 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal (Dei Gratiae, Rex Portugaliae) |
D. Afonso III | Pela morte de D. Matilde, Afonso III abandona o título de Conde de Bolonha (1259). |
| 1267–1369 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve (Dei Gratiae, Rex Portugaliae & Algarbii) |
D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV, D. Pedro I, D. Fernando I | D. Afonso III recebe o senhorio do Algarve pelo Tratado de Badajoz (1267). |
| 1369–1371 | Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, da Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Múrcia, de Jáen, do Algarve, de Algeciras e Senhor de Molina | D. Fernando I | Pretensão de D. Fernando à Coroa de Castela. |
| 1371–1383 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve | D. Fernando I | Renúncia aos títulos castelhanos após a Paz de Alcoutim (1371). |
| 1383–1385 | Pela Graça de Deus, Rainha de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, da Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Múrcia, de Jáen, do Algarve, de Algeciras e Senhora da Biscaia | D. Beatriz I e João I de Castela | Pretensão de D. Beatriz à Coroa de Portugal. |
| 1385–1415 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve | D. João I | Renúncia aos títulos castelhanos após a derrota de João I de Castela na Batalha de Aljubarrota (1385). |
| 1415–1458 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de Ceuta | D. João I, D. Duarte, D. Afonso V | Conquista de Ceuta (1415). |
| 1458–1471 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e do Algarve, e Senhor de Ceuta e de Alcácer em África | D. Afonso V | Conquista de Alcácer Ceguer (1458). |
| 1471–1475 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África | D. Afonso V | Conquista de Arzila e Tânger (1471) e elevação do senhorio do Norte de África à condição de Reino d'Além-Mar. |
| 1475–1479 | Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Portugal, de Toledo, de Galiza, de Sevilha, de Córdova, de Jáen, de Múrcia, dos Algarves d'Aquém e d'Além Mar em África, de Gibraltar, de Algeciras, e Senhor da Biscaia e de Molina | D. Afonso V | Pretensão de D. Afonso V à Coroa de Castela, pelo seu casamento com Joana, a Beltraneja. |
| 1479–1485 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África | D. Afonso V, D. João II | Renúncia aos títulos castelhanos após a Paz das Alcáçovas-Toledo. |
| 1485–1499 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, e Senhor da Guiné | D. João II, D. Manuel I | Criação do senhorio da Guiné abrangendo as possessões portuguesas que se estendiam pelo Golfo da Guiné. |
| 1499–1580 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. | D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, D. Henrique, D. António | Após o regresso de Vasco da Gama da Índia, em 1499, o título régio é reformulado e atinge a sua plenitude. |
| 1580–1640 | Pela Graça de Deus, Rei de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias, de Jerusalém, de Portugal, de Navarra, de Granada, de Toledo, de Valência, da Galiza, de Maiorca, de Sevilha, da Sardenha, de Córdova, da Córsega, de Múrcia, de Jáen, dos Algarves, de Algeciras, de Gibraltar, das Ilhas de Canária, das Índias Orientais e Ocidentais, Ilhas e Terra Firme do Mar-Oceano, Conde de Barcelona, Senhor da Biscaia e de Molina, Duque de Atenas e de Neopátria, Conde de Rossilhão e da Cerdanha, Marquês de Oristano e de Gociano, Arquiduque de Áustria, Duque da Borgonha, do Brabante e de Milão, Conde de Habsburgo, da Flandres e do Tirol, etc. | D. Filipe I, D. Filipe II, D. Filipe III | Com o domínio filipino, juntam-se os demais títulos dos Áustrias à titulatura portuguesa. |
| 1640–1815 | Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. | D. João IV, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. João V, D. José I, D. Maria I (com D. Pedro III) | Com a Restauração da Independência (1640), regressa-se ao velho estilo adoptado por D. Manuel I. |
| 1815–1825 | Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. | D. Maria I, D. João VI | O Brasil é elevado a Reino dentro do Império Português (1815). |
| 1825–1826 | Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. | D. João VI | Após o reconhecimento da independência do Império do Brasil por D. João VI (1825), retorna-se à fórmula anterior. |
| 1826 | Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. | D. Pedro IV | Durante o seu breve reinado de oito dias, embora mantendo a destrinça entre os dois Estados, o título reflectiu a união das duas coroas sobre a cabeça do mesmo dinasta. |
| 1826–1910 | Pela Graça de Deus, Rei (ou Rainha) de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor(a) da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc. | D. Maria II, D. Miguel I, D. Maria II (com D. Fernando II), D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos I, D. Manuel II | Após a abdicação de D. Pedro em favor da filha, retorna-se definitivamente à fórmula anterior, que vigorará agora até ao fim da Monarquia. |
Quanto ao estilo usado nas formas de adereçamento ao monarca, também ele evoluiu da seguinte maneira:
| Período | Estilo | Usado por | Motivo |
|---|---|---|---|
| 1140–1577 | Sua Alteza Real (SAR) | D. Afonso I, D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II, D. Afonso III, D. Dinis, D. Afonso IV, D. Pedro I, D. Fernando I, D. João I, D. Duarte, D. Afonso V, D. João II, D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião | |
| 1577–1578 | Sua Majestade (SM) | D. Sebastião | Por ocasião da entrevista de Guadalupe (1577), concedida por Filipe II de Espanha a seu sobrinho D. Sebastião, e do tratamento majestático que lhe foi concedido pelo tio, D. Sebastião passa a usar a fórmula de adereçamento Sua Majestade, prenunciando o seu desejo imperial de conquista de África. |
| 1578–1580 | Sua Alteza Real (SAR) | D. Henrique, D. António | Com a morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, o Cardeal-Rei regressa à fórmula anterior, por considerar o tratamento majestático apenas adequado para o divino. |
| 1580–1748 | Sua Majestade (SM) | Filipe I, Filipe II, Filipe III, D. João IV, D. Afonso VI, D. Pedro II, D. João V | Com a incorporação de Portugal nos domínios dos Habsburgos da Espanha, onde, devido à influência de Carlos V, rei de Castela e imperador da Alemanha, se havia difundido o tratamento de Majestade, este passa também à órbita portuguesa, mantendo-se mesmo após a Restauração da Independência (1640). |
| 1748–1825 | Sua Majestade Fidelíssima (SMF) | D. João V, D. José I, D. Maria I (com D. Pedro III), D. João VI | D. João V consegue da Santa Sé o reconhecimento do título de Majestade Fidelíssima para a Coroa Portuguesa, por contraponto ao uso de Sua Majestade Católica em Espanha e Sua Majestade Cristianíssima em França. |
| 1825–1826 | Sua Majestade Imperial e Fidelíssima (SMI&F) | D. João VI, D. Pedro IV | Com o reconhecimento da independência do Brasil, em 1825, D. João VI reserva também para si, ao abrigo das disposições do Tratado do Rio de Janeiro, o título de Sua Majestade Imperial; com a sua morte no ano seguinte, e a subida ao trono do filho mais velho, também ele imperador do Brasil (D. Pedro IV, mantém-se o uso da fórmula dúplice, até à sua abdicação em favor da filha D. Maria da Glória. |
| 1826–1910 | Sua Majestade Fidelíssima (SMF) | D. Maria II, D. Miguel I, D. Maria II (com D. Fernando II), D. Pedro V, D. Luís I, D. Carlos I, D. Manuel II | Após a abdicação de D. Pedro IV, retorna-se ao anterior estilo. |
editar Bibliografia
- FERNANDES, Isabel Alexandra. Reis e Rainhas de Portugal (5a. ed.). Lisboa: Texto Editores, 2006. ISBN 972-47-1792-5
