Os Almorávidas eram bérberes que formaram uma espécie de confraria religiosa. Eram seguidores de Abdallah ibn Yasin, teólogo do Islã ortodoxo chamado por um dos chefes das tribos bérberes que controlavam o Saara ocidental.
Seus seguidores, por volta do meio do século XI, começaram a ser conhecidos como al-Murabitun, ou "o povo da fortaleza" e no Ocidente são chamados Almorávidas. Seu objetivo inicial era estabelecer uma comunidade política na qual pudessem ser aplicados os princípios islâmicos, inclusive sobre a jihad contra os não-muçulmanos. Procuraram impor sua doutrina pela pregação e pela guerra. Em 1055 conseguiram se apoderar de dois dos mais importantes centros onde se comerciava o ouro que vinha do centro da África pelo deserto do Saara, Sijilmasa e Awdaghust/Audagost.
Em 1059, morreu ibn Yasin, mas um seu seguidor, Abu Bakr, tornou-se líder e conquistou continuamente a região do noroeste da África até morrer por sua vez em 1087: já então tinha-se apoderado do que hoje conhecemos como Marrocos.
Com capital na cidade que é hoje Marrakech, passaram a controlar toda a região até a atual Argélia. Em 1087, o primo de Abu Bakr, Yusuf ibn Tashfin, conquistou Ceuta e passou a dominar a região norte nas margens do Estreito de Gibraltar e ao longo das costas mediterrâneas.
Quando o rei Afonso VI de Castela conquistou a cidade de Toledo, em 1085, marco na história espanhola, o emir muçulmano de Sevilha, ameaçado, pediu ajuda aos almorávidas. Em 1086, o exército de ibn Tashufin cruzou o Estreito, derrotou o rei leonês e voltou à África. Outras vitórias espanholas levaram-no a atravessar de novo o Estreito, mas dessa vez não mais retornaria à África.
Anexaram toda a Espanha que pertencia a emires muçulmanos e formaram um vastíssimo Império que se estenderia desde a África - o Senegal - até o rio Ebro, incluindo todo Al Andalus, ou Andaluzia. A conquista não foi duradoura, por dificuldades econômicas, inquietação social, os ataques às comunidades cristã e judia, que até então viviam em certa harmonia e até protegidos pelos emires, desde que pagassem seus impostos. Uma administração fraca gerou abusos e, em 1140, outros bérberes do norte da África se uniram e declararam por sua vez guerra aos almorávidas, acusados de corrupção e opressão. Eram os fanáticos que ficaram conhecidos como Almóadas. Penetraram na península ibérica, submetendo os Almorávidas. Sob os almóadas, o comércio andaluz expandiu-se, e a cidade de Sevilha se tornou a capital do mundo islâmico no Ocidente.
Destas lutas se aproveitaram novamente os reis cristãos para alargarem os seus estados para sul. Inicialmente o rei de Castela, que era Afonso VIII (1155-1214) foi vencido pelos mouros almóadas na batalha de Alarcos (1195). Eram anos tão instáveis que o rei de Leão Afonso IX chegou a ser excomungado pelo papa por ter-se unido aos mouros nas lutas contra os príncipes cristãos.
O fanatismo e a intolerância dos almóadas, porém, alienaria as populações submetidas. Castela, Leão, Navarra, Aragão, ainda reinos separados (nem se falava ainda em Espanha, mas em "Espanhas") e Portugal uniram-se, abençoados pelo papa que lhes concedia as mesmas indulgências concedidas aos cruzados no Oriente, e obtiveram vitória importante em 1212, garantindo acesso e passagem no rio Guadalquivir. Essa batalha, conhecida como Las Navas de Tolosa, representou o golpe definitivo no domínio almóada.
A Andaluzia se fragmentava então em numerosíssimos centros políticos de poder que ficariam conhecidos como reinos taifa, fato que facilitou o avanço cristão. Sucessivas conquistas por Castela e Leão terminariam por reduzir o mundo andaluz a um só reino, o de Granada, mesmo assim um reino vassalo ao de Castela, e que só se renderia muito mais tarde aos reis de Castela (Isabel) e Aragão (Fernando), conhecidos como os Reis Católicos, dando por finda a Reconquista e pondo fim a muitos séculos de domínio muçulmano na Península Ibérica.
A dinastia Almorávida foi composta por:
- Yusuf ibn Tashfin (1061-1106)
- Ali ibn Yusuf (1106-1142)
- Tashfin ibn Ali (1142-1146)
- Ibrahim ibn Tashfin (1146)
- Ishaq ibn Ali (1146-1147)
